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Tudo sobre técnicas de jornalismo e seus conceitos.

Fraser Bond e a caça às definições profissionais do jornalismo

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Por Adriana Santiago*

Fraser Bond escreveu o livro em 1954, no contexto de mudanças na sociedade do pós-guerra e a abertura democrática. O jornalismo incorporou todas as tecnologias desenvolvidas na II Guerra Mundial, a televisão tornou-se um meio poderoso, e a propaganda vendia de tudo, produtos ou pessoas. O consumo explodiu. Ao mesmo tempo em que surgiram os beatniks, geração que se voltou contra o materialismo, usou drogas e lutou pela liberdade sexual, um estilo de vida que iria encontrar uma maior aceitação na década de 1960 e 1970 [2]. O cinema e a música roqueira elevaram a necessidade de compreender essa Indústria Cultural [3] (ADORNO & HORKEHEIMER, 1942) e seus efeitos.

No período compreendido entre 1950 e 1956, o congresso estadunidense estava preocupado com a Guerra Fria, um tempo que ficou conhecido como o “terror vermelho” (red scare), Macarthismo ou ainda “caça às bruxas”. O senador republicano Joseph McCarthy começou sua cruzada para livrar os Estados Unidos do comunismo. Esta década viu o crescimento do movimento feminista, dos direitos civis, principalmente contra o racismo, e demais manifestações democráticas que culminaram nas passeatas de 60, daí vê-se a tendência ao democratismo nas elaborações sobre o jornalismo. A necessidade de ver o jornalismo como agente social e promotor de democracia praticamente emerge neste contexto.

O impacto no Brasil

O Brasil, como os demais países latino-americanos influenciados diretamente pelo contexto dos Estados Unidos, reagiu com reflexos claros dessas mudança. Na década de 50 e início dos anos 1960, o jornalismo brasileiro também passava por diversas transformações e sedimentações das suas rotinas e status. Foi um tempo de surgimento novos meios nacionais, da modernização das técnicas e da definitiva profissionalização da atividade. Nesta década, a televisão se consolidou e surgiram as revistas da Editora Abril e a revista de entretenimento Manchete, da Editora Bloch, dando uma nova lógica para o seguimento, incrementando o filão do entretenimento.

O jornalismo tradicional, representado pelo Jornal do Brasil com sua reforma gráfica em 1956, deu o tom a toda a imprensa nacional. O JB, um dos mais importantes do país, modificou a linha editorial, rotina produtiva e introduziu um novo padrão visual para os nossos jornais [4]. O contexto histórico, passa pelo suicídio de Getúlio Vargas e as reformas modernizadoras de Juscelino Kubitschek. O Brasil se modernizava e também entendia o avanço dos meios de comunicação. Desta forma, Luiz Beltrão [5] o tomou como base em seu livro de 1960, quando o jornalismo brasileiro também passava por diversas transformações e sedimentações das suas rotinas e status, e pautou vários estudos no que hoje é chamada no Brasil de Teoria do Jornalismo, durante muito tempo. Hoje é um clássico, e uma pesquisa por citação no Google Acadêmico [6] em páginas do Brasil, a pontam cerca de 300 citações. De Fraser Bond (1962) a Mauro Wolf (1995), busca-se identificar os elementos de interesse da notícia ou critérios de noticiabilidade, ou seja, os atributos que fazem com que determinados fatos rompam a barreira dos gatekeepers (White, 1951) e sejam selecionados como notícia. Afinal, um evento que é notícia hoje, pode não ser amanhã.

O livro

A obra é um manual para estudantes dividido em 25 partes, que detalha as etapas do processo produtivo de 1950, já bastante defasado, porém é bem claro quando trata da necessidade do jornalismo sair do amadorismo, uma vez que as empresas jornalísticas são cada vez mais organizações comercialmente sólidas, sendo necessário situar o profissional na conjuntura e responsabilidade éticas. Assim, avalio como o grande legado o ensaio de definição da razão de ser do jornalismo, tendo como destaque os capítulos que tratam da natureza do jornalismo e das notícias (capítulos I e V). Logo no início, o autor começa tratando da natureza do jornalismo, a partir dos deveres e objetivos da prática, colocando o jornalismo como agente de responsabilidade dentro da sociedade, ou seja, no contexto deontológico. No capítulo ‘Natureza da Notícia’, o autor avança na reflexão do que diz respeito aos “valores da notícia’ e antecipa em 1959, alguns dos 12 critérios de noticiabilidade enumerados por Galtung e Ruge, em 1965 [7]. Veremos mais detalhadamente estes dois capítulos ainda neste ensaio.

Fraser Bond explica didaticamente as várias narrativas e veículos, sempre as vinculando ao interesse do público e ao gosto popular, ao leitor comum, algumas vezes vinculando-os à necessidades de entretenimento e serviços. Explica detalhadamente a organização dos jornais com as várias seções e a empresa em si, assim como rotinas produtivas da época e funcionamento do jornal, enfatizando objetivos e conteúdo, destacando que o jornal tem quatro razões principais pra existir: informar, interpretar, servir (a comunidade, ao leitor, ao anunciante) e a divertir. Ao dizer isto, conecta-se com a lógica do pensamento estadunidense da época, de consumo e democratismo.
Quanto aos conteúdos, além de ensinar a ler um jornal, chama a atenção quando fala de governo e política, estabelecendo já o procedimento de objetividade, atualmente básico, de ‘ouvir’ os lados da notícia.

Antigamente, os jornais americanos interessaram-se principalmente pela política, e davam seu maior espaço às notícias a ela relativas. Frequentemente, isto consistia em pouco mais que propaganda partidária. Hoje o noticiário político tem menos espaço, porém mais exatidão na informação. [….] O hábito crescente, agora, é apresentar opiniões contrárias lado a lado, simultaneamente com exposição da própria opinião do jornal (BOND, 1959, p.113).

Como todo manual, fala dos tipos de narrativa e como escrever o lead, o que é pirâmide invertidas e os tipos de notícias, o estilo e a linguagem usados no jornalismo. Inclusive tenta teorizar sobre o jornalismo e a crítica de arte, tentando classificar suas diferenças em relação à notícias comum, embora deixe claro que o jornalismo sobre as artes não é a crítica literária. “(…)um colunista de jornal frequentemente vê-se apelidado de “crítico”. No caso do jornalista, isto é mais um caso de cortesia, pois a verdadeira crítica é outra coisa que não a apreciação jornalística” (BOND, 1959, p. 216). E já admite, assim, o jornalismo como diversão, que passa pelos usos da ficção, do humorismo e das histórias em quadrinhos, numa perspectiva bem mais ampla, é fato, do que hoje chamamos de jornalismo cultural.

Assim como falou em quadrinhos, também abordou o jornalismo imagético (ou pictórico), passando pelo uso das ilustrações à fotografia e as transmissões radiofônicas, sem entrar muito no contexto da televisão. Na época em que o livro foi escrito, já existiam emissoras de televisão nos EUA há 15 anos, embora a grande maioria da programação voltada para o entretenimento e propaganda política [8], talvez por isso Fraser Bond não tenha dedicado menos espaço para analisar a televisão do que aos impressos. Mesmo no capítulo XX dedicado ao jornalismo no rádio e na televisão, valoriza as rotinas do rádio. Em 1956, quando escrevia o livro, existiam apenas 108 estações de televisão no EUA, mas estavam em fase de expansão e ele vislumbrava que “o futuro papel da televisão como meio de comunicação aparece revestido da maior importância” (p.291). Mesmo assim, descreve as rotinas e funções profissionais que já se delineavam naquele meio.

Entre outras descrições de funções e rotinas do jornalismo, também fala sobre anúncios, publicidade e relações públicas; os arquivos de pesquisa e a necessidade de ser ter a biblioteca de referência, e os envolvimentos legais. Fala da responsabilidade social do jornalista e que não pode fazer injúria e difamação, já situando a diferença entre a liberdade de imprensa e a responsabilidade do jornalismo, detalha os aspectos legais em torno do fazer jornalístico, não só o que tange à ética e defesa de direitos, mas na própria divulgação e direito à informação.
Agora voltando à natureza do jornalismo e da notícia, no capítulo inicial do livro que trata da natureza do jornalismo, é importante observar o que Fraser Bond já inicia a obra tentando classificar os deveres do jornalismo. Uma vez que acredita que as definições de jornalismo variam de acordo com o ponto de vista. “Para o cínico, jornalismo é meramente um comércio; para o idealista, revela-se como uma responsabilidade e um privilégio” (BOND, 1959, p.1).

Os dois conceitos de jornalismo florescem quando há garantias de liberdade, sejam elas merecidas ou não. A primeira filosofia sustenta: “Dê ao povo o que ele quer”, a outra, “Dê ao povo a verdade que ele precisa ter (BOND, 1959, p.1).

O primeiro dever é que a “imprensa deve ser independente. “Apoiar-se em bases econômicas próprias, obtendo seus lucros sem ser subvencionada (BOND, 1959, p.3). As teorizações sobre o jornalismo passam sempre pela independência relacionando à questão do financiamento e modelo de negócio, um forma de alicerce do jornalismo, que sempre se pressupõe independente desde que a subvenção seja pelo público. Contudo, quando se industrializa e aumenta custos, embora também aumente o alcance, essa balança se desestabiliza. Seria o jornalismo uma atividade que não compactua com a comunicação de massa?

É importante levar em consideração a lógica dos fatos bem apurado, como John Thadeus Delane, diretor do jornal londrino The Times de 1841 a 1877, defende. “O dever do jornalista é o mesmo do historiador — procurar a verdade acima de tudo e apresentar aos seus leitores não o que a política estimaria que eles soubessem, mas a verdade tão profunda quanto ele a tenha podido atingir” (BOND, 1959, p.4).
O dever de a imprensa ser imparcial, se coaduna com a lógica conjuntural da época, onde acredita-se na possibilidade

de ideal de imparcialidade ser alcançado pelo jornalismo que evita erros ou tendenciosidade, preconceitos e sensacionalismo, é importante notar a presença do conceito de agente social e responsabilidade. De alguma forma, o ensaio de Fraser Bond coloca o jornalista em uma posição importante de alicerce democrático. Neste ponto, Bond alia-se a Beltrão e Schudson, que também colocam a promoção da democracia como função do jornalismo.

A glória da democracia, como muitos jornalistas têm salientado, está no fato de ser ela uma forma de governo que garante a continuidade dos direitos das minorias que não estão no poder. O jornalismo honesto é exatamente o meio de expressão dessas minorias porque não está sob controle do governo (BOND, 1959, p.4).

Embora, o autor ressalte o tempo como fator determinante da imprecisão, uma dialética digna de reflexão filosófica, diria Beltrão, ainda ressalta como deveres a exatidão, a honestidade, a responsabilidade e a decência.
Quanto trata dos objetivos do jornalismo de informar, interpretar, orientar e entreter (e fala em capítulos mais à frente em servir) o localiza como agente importante de compreensão da sociedade, agente formador de cidadania, embora ressalte que o “jornalismo dedica um esforço crescente à sua função de entreter”.

O pobre mortal comum preso a um labirinto de invenções, teorias econômicas e científicas, precisa ser guiado através de suas dificuldades. Assim, o jornalismo de hoje deve lazer com que chegue ao leitor ou ouvinte, além da notícia de um fato, de um acontecimento ou de uma teoria, também explicações, interpretações, material de base, e diagramas, orientados no sentido de ajudar o indivíduo a compreender melhor o que lê ou ouve. (BOND, 1959, p.6-7).

O autor ainda destaca as críticas feitas ao jornalismo que, normalmente, são feitas por seus maiores entusiastas. A primeira delas é que a imprensa é inexata, seja por enganos deliberados ou erros não intencionais, daí resume com a frase: “Não se pode acreditar no que se lê nos jornais” (BOND, 1959, p.8). A outra crítica, ainda muito atual, é de que a propriedade dos meios é limitada, nas mãos de poucos, e o que pode prejudicar a liberdade de expressão. Esse é o problema do Brasil, por exemplo, cuja comunicação está concentrada nas mãos de nove grandes famílias. As demais críticas dizem respeito ao conteúdo, como privilegiar a pauta de crime, assuntos menos importantes e que não promovem o bem comum, fatos sempre em concordância com a linha editorial; e às questões éticas, como o sensacionalismo, o material superficial, a manipulação de notícias e a não verificação do que publica.

A natureza das notícias discutida no capítulo V começa pela tentativa de entender ‘O que é notícia?”. O autor começa com o ideia de que a “notícia não é um acontecimento, ainda que assombroso, mas a narração desse acontecimento. Não o acontecimento real, mas a história ou o relato desse acontecimento que nos atinge” (BOND, 1959, p. 67.). E passa por várias definições de jornalistas famosos à época, como a Satanley Walker, que definia a notícia com um sumário sucinto: “Sexo, dinheiro e crime”, além da necessidade de ser de primeira mão, chega a definição que me parece ser a primeira de muitas. “Notícia é uma reportagem oportuna sobre coisa de interesse para a humanidade e a melhor notícia é a que interessa ao maior número de Ieitores”. (BOND, 1959, p. 68.).

Seguramente o gênero humano é sem dúvida o principal interesse do homem. A notícia, então, que mais interessa o leitor médio consiste em alguma coisa que o afeta – sua saúde, riqueza, segurança, bem-estar. (BOND, 1959, p. 68).

Dentre estes fatores que chamam a atenção do público chama atenção quatro deles que, segundo o autor, determinam o valor da notícia: oportunidade, proximidade, tamanho e importância, podendo conter um ou diversos desses aspectos que provocam interesse. Assim, classificou doze elementos de interesse da notícia: interesse-próprio, dinheiro, sexo, conflito, o incomum, o culto do herói e da fama, expectativa e interesse humano, acontecimentos que afetam grandes grupos organizados, disputa, descoberta e invenção; e crime. Esta relação de Fraser Bond antecipa já os critérios de noticiabilidade sistematizados por Galtung & Ruge (1965) e revistados por Gislene Silva[9] (2005):

Na sequência, vários pesquisadores propõem, a partir de seus trabalhos de campo, diversas listagens de atributos dos acontecimentos, características necessárias para que fatos fossem selecionados como notícias. Em 1965, como já foi dito, Galtung e Ruge, ao se perguntarem como os acontecimentos se transformam em notícias, chegaram a doze valores-notícia: frequência, amplitude, clareza ou falta de ambiguidade, relevância, conformidade, imprevisão, continuidade, referência a pessoas e nações de elite, composição, personificação e negativismo.

No decorrer da segunda metade do século XX, e a partir dos levantamentos feitos por Nelson Traquina, Mauro Wolf e Michael Kunczik e de textos de autores brasileiros como Manuel Carlos Chaparro, Mário Erbolato e Nilson Lage, pode-se encontrar diversos elencos de valores-notícia (Silva, 2005, p.101-102). Desta forma, observa-se que as angústias permeiam a subjetividade do jornalismo desde sempre e é necessário observar os fenômenos e entendê-los.

O Autor

F. Fraser Bond foi um os maiores especialistas em jornalismo na década de 1950-60 nos EUA e influenciou sobremaneira Luiz Beltrão e José Marques de Melo em suas produções, o que consequentemente se tornou referência constante nos estudos do jornalismo do Brasil. Para dimensionar ao leitor, uma busca rápida no Google Acadêmico, apontam mais de 500 resultados em textos em português. Bond professor na New York University, em um país com quase 50 anos de tradição de ensino do jornalismo, com a primeira escola de jornalismo fundada em 1904 por Joseph Pulitzer (Columbia School of Journalism). Para entender o espírito desta iniciativa é preciso entender como o jornalismo saiu de uma prática informal para um campo de estudo. A declaração de Pulitzer (1904) à época da gestação da escola pode nos dar um norte: “Precisamos de um sentimento de classe entre os jornalistas – baseado não no dinheiro, mas na moral, na educação e no caráter [10]. Desta safra de estudiosos, destacou-se na década de 1920, o americano Robert Ezra Park que realizou um dos primeiros desenhos relevantes para a construção de uma teoria do campo.

* Adriana Santiago é doutoranda no Programa Comunicação e Cultura Contemporânea (Poscom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor). Fonte: NJOR

[1] A edição original deste livro foi em 1954. A edição brasileira é de 1959. As citações do texto foram revisadas para a nova reforma ortográfica.
[2] MUSSER, Rick. Site Journalism history. University of Kansas, School of Journalism & Mass Communications, 1976-2008. International Thompson Publishing Company. Site http://history.journalism.ku.edu/ Acessado em 1 de outubro, de 2013.
[3] ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Traduzido por Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
[4] Site do Centro de Cultura e Memória do Jornalismo, http://www.ccmj.org.br/ acessado em 2 de outubro de 2013
[5] BELTRÃO, Luiz. Iniciação à filosofia do jornalismo. Rio de Janeiro: Agir, 1960.
[6] http://scholar.google.com.br/scholar
[7] O estado da arte mais atualizado no Brasil é de SILVA, Gislene. Para pensar critérios de noticiabilidade. Estudos em Jornalismo e mídia, v.2, n.1. Florianópolis: Insular, 2005, p.95-106.
[8] SQUIRRA, S. O século dourado: a comunicação eletrônica nos EUA. São Paulo: Summus, 1995.
[9] SILVA, Gislene. Para pensar critérios de noticiabilidade. In: Estudos em Jornalismo e Mídia Vol.II Nº 1 – 2005. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/2091/1830.

[10] Pulitzer, J. The college of journalism the North American Review, 178, In: SCHUDSON, Michael -Descobrindo a notícia: uma história social dos jornais nos Estados Unidos. Tradução Denise Jardin Duarte. Petrópolis. Ed Vozes, 2010 (p. 180).

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Jornalista concurseiro: como anda a sua memória?

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Por Michele Barros
Olá, concurseiros jornalistas!
Para começar bem a semana trago o curso de memorização do psicólogo Alberto Dell’Isola, conhecido como super memória. São seis vídeoaulas em que o especialista em memória dá dicas e explicações acerca do processo de memorização nos estudos para concursos, ensina a elaborar mapas mentais e mostra como enfrentar o nosso maior concorrente — nós mesmos.
O autossabotador, como denomina o especialista, é o principal rival dos concurseiros; saber como enfrentá-lo tornará a concentração e, consequentemente, a assimilação dos conteúdos mais eficaz.
Vale a pena dar uma parada nos estudos para assistir aos vídeos. Mesmo que algumas dicas como a elaboração e estudo de mapas mentais sejam mais voltadas para a área jurídica é fácil adaptá-las a nossa realidade para construir estratégias para uma melhor memorização dos estudos. Foi de lá, inclusive, que retirei algumas ideias para o post sobre como fazer uma boa prova.
Estudando, percebi o quanto é real o que ele diz sobre a perda de concentração, quebra da leitura sequencial e demais problemas que fazem com que o nosso rendimento nos estudos diminua. Identificá-los rapidamente nos torna cada vez mais direcionados e espertos para não deixar o sabotador nos derrotar.
Para quem quiser saber mais sobre como fazer mapas mentais, neste link há diversos softwares disponíveis para download. A maioria é em inglês, mas são bem intuitivos e fáceis de usar.
Tudo isso ajudará a otimizar o tempo dos estudos, um dos pontos mais problemáticos para os concurseiros que dispõem de poucas horas livres para estudar.
Além dos vídeos gratuitos, Dell’Isola mantém o blog Super Memória com um rico material sobre o tema, para aqueles que se interessam pelos mistérios e curiosidades do cérebro humano.
Seguem abaixo os links para as vídeoaulas:

Curso de memorização COMPLETO 1/6

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Professores analisam a crítica televisiva no jornalismo cultural

Posted by analisesdejornalismo em novembro 7, 2013

A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios

Fonte: Publicações do MidiAto

“A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios”. Esse é o nome do artigo publicado pela professora Rosana Soares, uma das líderes do MidiAto, e por Márcio Serelle, professor da PUC de Minas Gerais, no último número da revista Intexto, da UFRGS. 

kogutNo trabalho, os professores dizem que “a crítica televisiva no jornalismo cultural enfrenta, hoje, desafios para a avaliação da programação, entre eles, o da organização de um repertório televisual”. Assim, por meio da análise de textos dos jornalistas Patrícia Kogut, de “O Globo”, e Daniel Castro, do portal “R7″, o artigo identifica e discute “os valores (estéticos, mercadológicos, pedagógicos) que deles emergem, investigando o modo como essa crítica pode estabelecer parâmetros acerca do que seria uma ‘televisão de qualidade’.

Leia trecho do trabalho:

Os textos críticos demonstram, também, a presença hegemônica da Rede Globo de Televisão na cobertura de jornalismo cultural, não fazendo diferença se o crítico pertence a um grupo concorrente, como no caso de Castro (Grupo Record). Ou seja: no corpus desta investigação, a programação da TV Globo, possivelmente por sua notável audiência na TV aberta, impõe-se como grade a ser noticiada, debatida e avaliada, para além de qualquer favorecimento pretendido pelos conglomerados midiáticos.

Veja o estudo completo aqui:

A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios.

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Os métodos jornalísticos, a ética, a intimidação e o autoritarismo

Posted by analisesdejornalismo em novembro 6, 2013

Por Francisco José Castilhos Karam

A luta milenar entre mostrar e esconder é incessante. Se alguns tentam esconder e outros mostrar, temos claramente um conflito de interesses. Em sociedades complexas tais métodos se tornam ainda mais sofisticados, com a tentativa de obscurecer dados da realidade ou de revelar elementos dela. O critério de publicização passa a ser a relevância do desvendamento para a sociedade e em que isso pode contribuir para que se veja melhor.

Na Alemanha, a expressão método wallraffen chega a representar disciplinas em cursos de jornalismo sobre a forma de trabalho de Gunter Wallraff, autor, entre outros livros, de Cabeça de Turco, Fábrica de Mentiras e O jornalista indesejável, os dois primeiros traduzidos no Brasil. Cabeça de turco chegou a vender muitos milhões de exemplares em todo o planeta, com tradução em vários países.

O método wallraffen inclui infiltração e alteração de identidade, coisa que nem Wallraff foi o primeiro a fazer e nem será o último. Tampouco essa conduta é exclusiva da área jornalística. Mas é paradigmático de um método que, mediante avaliação moral e técnica jornalística, legitima-se em decorrência de possíveis benefícios sociais.

Amparados pela regulamentação, policiais fazem isso há muito tempo, técnicos em inteligência também. Amparados pela Modernidade e pelo contrato social baseado em uma divisão de funções e trabalhos, jornalistas fazem isso desde a consolidação da reportagem como gênero central no jornalismo, afirmado no ambiente de uma sociedade republicana, democrática, industrial. E na qual a Instituição Imprensa passa a ter papel relevante na disseminação e compartilhamento de fatos, versões e debates contemporâneos, mediante alguns critérios como interesse público.

Ainda que a Imprensa seja crescentemente um negócio que inclui a informação apenas como um de seus produtos – e, a meu ver, o principal-, conceitos como credibilidade e legitimidade sociais foram e são importantes para que o jornalismo se mantenha como essencial à vitalidade democrática e aos debates e decisões gerados a partir dessa.

Recomendações e liberdade

Na maioria dos códigos de ética aplicada, deontológicos, de conduta de jornalistas profissionais em todo o planeta, em geral há uma recomendação de que deve se evitar métodos ilícitos ou duvidosos para obtenção de informação. Mas comumente há uma vírgula e, depois dela, uma célebre expressão “a não ser que os métodos tradicionais tenham sido utilizados sem sucesso e a informação a ser dada tenha relevância”. Foi assim que jornalistas ingressaram em determinados supermercados para conferir, após denúncia, como funcionários alteravam, durante a noite, a data de validade de determinados produtos perecíveis. Prestaram à sociedade um serviço diante do engodo e desserviço que as redes de supermercados estavam fazendo. Foi assim que jornalistas ingressaram em manicômios para mostrar, com texto e fotos, o tratamento desumano dado a pacientes internados. De outra forma, uma visita jornalística guiada e autorizada possivelmente encontraria o local com flores, tapete vermelho e um cenário montado e bem arrumado.

Em geral, logo após a publicização de matérias/reportagens com tais métodos, há uma divisão em duas perspectivas. De um lado, há os que bradam que faltou “ética” aos profissionais jornalistas, talvez menos pelo método e mais porque ficaram “nus” diante da sociedade quando tentavam bater a carteira dela. De outro, os que celebram o desvendamento de uma realidade que afeta número significativo de pessoas.

Assim, embora o mandato popular conferido ao jornalista não passe pelo sufrágio universal, há uma legitimidade em nome da posição de ofício que ele tem para mostrar dados e fatos que atinjam diretamente a vida dos cidadãos. E que bom se assim fosse sempre, acima dos interesses mercadológicos e econômicos que autorizam algumas investigações jornalísticas a seguir adiante e outras não, a partir dos centros de poder da empresa.

O método wallraffen está dentro do conceito de legitimidade, comparável ao trabalho dos detetives, embora jornalistas não tenham a mesma garantia constitucional e jurídica e, muitas vezes, física para tal exercício. No entanto, há uma garantia moral, dada pelo papel social que representa ou deve representar a profissão. Não para generalizar tal método, mas para utilizá-lo quando necessário e de acordo com as plenas convicções de que tal trabalho trará esclarecimento à sociedade que pode estar sendo enganada ou prejudicada com a ocultação. E também onde as instituições do Estado começam a falhar ou quando estão envolvidas elas mesmo em atos duvidosos. Ou, ainda, onde setores particulares se apropriam do interesse público para defender apenas o próprio bolso.

Métodos na profissão e no ensino

Tais métodos são discutidos na profissão (como nos congressos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji – e no âmbito acadêmico), tanto eticamente como no exercício da prática que simula a profissão e tende, em uma boa escola, a se aproximar da realidade do trabalho. Em vários casos, trabalhos são feitos com algum risco. Se não fosse assim, seria melhor os jornalistas ou estudantes cobrirem apenas baile de debutantes ou inauguração de estátuas.
Felizmente não é assim, e jornalistas e estudantes correm riscos, como acompanhar manifestações nas ruas; cobrir greves; fazer viagens com certa aventura e desafios para um TCC (trabalhos de conclusão de curso); acompanhar trabalhos como o da Cruz Vermelha em zonas de guerra e situações similares.

Jornalistas e futuros jornalistas, ainda que com alguns riscos, não podem fugir de situações tais quando estas exigem a presença de alguém que ajude a desvendar o cenário e colocá-lo à disposição do público. E há discussão sobre isso, supervisão de profissionais mais experientes ou de professores jornalistas com experiência no assunto e que sabem o que é ser jornalista. Quando fazem isso, não são burocratas do ensino e nem capachos do Poder.

É com tal perspectiva que para jornalistas consagrados em todo o planeta um carimbo de “secreto” em um documento é apenas um carimbo de “secreto”, que pode representar algo muito estratégico a ser mantido em sigilo, mas também significar que alguém, por razões particulares ou “razões de Estado particulares”, quer esconder algo que beneficiará alguns e prejudicará a muitos. É o interesse particular travestido de público. Jornalistas desmancham tais esconderijos, como Gunter Wallraff e inúmeros outros. E se baseiam em documentos que chegam a eles para iniciar um processo de investigação jornalística ou em investigações que eles próprios decidem a partir de denúncias, constatações ou desconfianças.

Seja na profissão ou no âmbito acadêmico, também é preciso cuidado com a segurança e sempre há algum risco. E quem decide sobre apurar ou não apurar é a profissão, com base no contrato social expresso por uma atividade que se vale da clássica expressão constitucional que integra os textos relativos à Imprensa pós-Revolução Inglesa e Francesa e no cenário em que se consolidou o direito social à informação como um dos fundamentais na era dos direitos civis, como o direito à saúde, à educação… O contrário disso é tentativa de esconder e, em alguns casos, aproxima-se da intimidação e da censura, mesmo no ambiente de Universidade, em que algumas vezes se confunde as autoridades do momento com toda a Instituição. Dentro dela, há profissões. E profissões exigem compromissos acadêmicos, morais e técnicos com a futura atividade profissional, por mais que autoridades não gostem.

O brado de falta de ética confunde tais investigações acadêmico-jornalísticas com etiqueta, com bons modos, coisa que os jornalistas investigadores têm ao cumprimentar as pessoas ou segurar os talheres… Mas no exercício do ofício existe a ética profissional, nem sempre a dos “bons modos”, nem sempre a do baile de debutantes… Existe a necessidade de mostrar algo qualificado e importante à luz do jornalismo em relação ao todo social. E que faz ir por água abaixo a etiqueta, os bons modos, o jornalismo de compadre… O jornalismo que surge, então, é o que incomoda, o que faz perguntas incômodas, o que entra em lugares “proibidos” para verificar; o que legitimamente utiliza a infiltração porque fontes mentem, escondem e enganam o público, maior ou menor público.

Quem intimida sempre se desculpa com o argumento de que não é censura nem intimidação. Mas quer que o profissional ou estudante seja seu porta-voz ou relações públicas. Há profissões que zelam pela imagem, pela fidelidade ao assessorado, que tentam gerenciar crises. Ainda que haja um jornalismo de serviço e suas derivações, o essencial dele, e que dá sentido à área em uma perspectiva ampla, histórica, moral e tecnicamente defensável, é o tipificado pela figura do repórter, o que faz aflorar crises e não o contrário. Gera controvérsia, e esse é o sentido da profissão diante de um espaço público complexo e crescente na contemporaneidade. Seu sentido primordial é informar o público com precisão e sobre assuntos relevantes.

As tentativas de censura à investigação jornalística, a matérias de profissionais, a trabalhos feitos por estudantes em universidades, ampliam o leque de uma vertente autoritária, já alertada por Wallraff quando escreveu várias reportagens na Europa expressa pela clássica frase “nosso fascismo ao lado, lições para o amanhã”. Para evitar isso, o jornalismo deve fazer seu trabalho bem feito, com critérios baseados na relevância social da informação para o público e com precisão, verossimilhança e narração compatíveis com o conceito de credibilidade. E universidades devem assimilar que nem tudo são flores e que, em um curso de jornalismo, estudantes trabalham junto com professores, em geral experientes jornalistas que se titularam e que sabem algo sobre a profissão. E sabem que censura e intimidação não estão em seu dicionário e devem ser combatidos pelo que ocultam: interesses particulares e tentativa de “dourar a pílula”, não hesitando, muitas vezes, em diversos tipos de pressão, que vão da suspensão de verbas a determinados projetos a tratamento diferenciado em relação a um ou outro Curso. Nada pior para a democracia.

Em um cenário em que jornalistas são ameaçados em manifestações; em que autoridades internacionais querem prender ou matar jornalistas ou fontes que revelam documentos comprovadores de danos sociais; em que há tentativa de intervenção na produção laboratorial de cursos de jornalismo, parece haver necessidade de defesa da profissão naquilo que a consagrou perante a sociedade, a reportagem. Sem ela, não há jornalismo. E só reportagem autorizada não contribui para o Jornalismo em sua mais alta magnitude.

* Professor na Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador do objETHOS

Publicado no Observatório da Ética Jornalistica (OBJETHOS) em 21/10/2013

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Cinco técnicas para melhorar o jornalismo explicativo

Posted by analisesdejornalismo em novembro 3, 2013

Como a tecnologia pode ajudar o jornalista a dar sentido a temas complexos e explicá-los ao público de uma maneira clara e compreensível?

por J. Nathan Matias, PBS MediaShift’s IdeaLab

No ano passado, os estudantes de jornalismo de Jay Rosen passaram um semestre inteiro pesquisando e elaborando explicações em parceria com o ProPublica, uma redação sem fins lucrativos que se concentra em jornalismo investigativo. A classe fez um trabalho incrível para destacar exemplos notáveis e desenvolver seus próprios “explicadores”, conhecimento de fundo essencial para ajudar o público a acompanhar os acontecimentos e tendências no jornalismo. Um dos meus exemplos favoritos é um projeto de 2011 em que os alunos recriaram o mesmo artigo de fundo do ProPublica com vídeo, podcast e seção de perguntas frequentes.

A classe focou principalmente em duas coisas: apresentação e conversação. Eles conversaram com psicólogos cognitivos como George Lakoff para aprender como o público assimila o que lê. Destacaram exemplos de apresentação, como vídeos, cronogramas, infográficos, mini-sites, agregadores, podcasts, guias interativos, fluxogramas, e até mesmo um livro de imagens do Google! A turma também observou que explicar muitas vezes é uma conversa. No seu guia do jornalista para o desenvolvimento de perguntas frequentes, a classe sugere técnicas para descobrir o que as pessoas precisam saber. Eu adorei o conselho de ouvir o leitor.

Onde podemos inovar?

Neste período, estou fazendo a aula de Notícias Participativas de Ethan Zuckerman a partir do ponto de vista de um designer de tecnologia que quer construir ferramentas para apoiar o jornalismo de qualidade… Aqui estão as minhas principais recomendações em assunto de tecnologia para explicações melhores:

1. Produção colaborativa. Jay escreveu no seu ensaio o “Explicador Nacional” que se pode iniciar com um jornalista que não sabe do assunto. Quando aprendemos a explicar alguma coisa, nossa ignorância inicial nos ajuda a perceber de onde nosso público parte. Esta abordagem assume que um jornalista profissional está fazendo o trabalho; onde mais poderíamos encontrar pessoas desinformadas capazes de fazer explicações?

Acho que devemos nos inspirar na Wikipédia para desenvolver estratégias para a produção colaborativa de jornalismo explicativo, especialmente em questões que os jornalistas não podem cobrir ou não cobrem. As comunidades online como a Metafilter provaram a capacidade para cooperar em investigações de vez em quando. Como podemos estender isso para as explicações? Poderíamos também nos inspirar no Instructables e CommonCraft, comunidades online de pessoas que compartilham instruções em vídeo e explicações…

2. Achar vozes. Muitas das explicações na turma de Jay envolvem uma narrativa. A matéria “The Giant Pool of Money” foi bem sucedida, porque o programa “This American Life” encontrou o elenco certo de personalidades para ilustrar uma questão complexa. Mas encontrar as pessoas certas é realmente difícil, especialmente se você não representa uma organização de mídia estabelecida. Bancos de fontes como o Public Insight Network podem ajudar, mas é um sistema fechado e indisponível fora das redações. Redes sociais através de grupos como o Global Voices nos leva na metade do caminho, a pessoas que talvez conheçam quem estamos procurando…

3. Organização da pesquisa. Explicações são, por definição, difícil de organizar e pesquisar. São questões complicadas que não parecem fazer muito sentido. Muitas vezes, o arco da história não é aparente até a meio do projeto. Pode ser fácil se perder na selva de informação. Enquanto a pilha de pesquisa cresce, pode ser difícil seguir a estrutura de um sistema complexo ou reunir a informação que você precisa para uma entrevista a seguir.

As ferramentas de escrita mais usadas ​​são ruins para ajudar as pessoas a organizar e compreender suas informações. Eu escrevi em outro site sobre o meu uso de softwares como o Tinderbox Eastgate para organizar uma pesquisa em torno de uma questão complexa. Acho que precisamos mais desse tipo de software. (Este artigo” de James Fallows é um ótimo lugar para começar).

4. Formas retóricas. A narrativa em computador está em seu estágio inicial; não chegamos a um acordo sobre muitas das formas literárias. Além da seção de perguntas frequentes, cronograma e palestra ilustrada, a maioria dos explicadores exige uma forma retórica personalizada. Isso é ruim para qualquer pessoa que queira designar um prazo final para um projeto.

É por isso que eu amo os prêmios “Explainer Awards” que Jay e seus alunos realizaram… Mas temos de levar isso mais adiante. Um programa de premiação eficaz reunirá finalistas em cada categoria para discutir desafios comuns e construir tecnologias para resolver esses problemas.

5. Conversação. Por que não reimaginar o ato de explicar como um movimento social, em vez de produção de conteúdo? Algumas das melhores explicações são resultado de uma conversa de duas vias e não de uma parte do conteúdo. Nós poderíamos começar um serviço chamado “Meet the News”, baseado geograficamente, que convida quem quiser a tomar café com alguém afetado por uma notícia. Os participantes poderão pagar o café e contribuir para a comunidade com alguns parágrafos sobre a conversa, algo como as recomendações de “couch-surfing” para o jornalismo.

Este artigo foi publicado originalmente no Idea Lab da PBS MediaShift e foi traduzido e publicado pela IJNet com autorização. O IdeaLab da PBS MediaShift é um blog em grupo feito por inovadores que estão reinventando as notícias comunitárias para a era digital. Cada autor recebeu um fundo do Desafio Jornalístico Knight para ajudar a bancar uma ideia sobre um tema relacionado à transformação da notícia comunitária.

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Relação assessor X assessorado: entre razão e emoção

Posted by analisesdejornalismo em novembro 3, 2013

Por Simone Bigolin

A relação entre chefes e empregados é fator determinante de sucesso, ou fracasso, em todos os campos de trabalho, inclusive na assessoria de imprensa. Tratando-se de um trabalho de AI, Milhomem (2003) sustenta que a relação é firmada através de um tripé, o qual envolve o cliente (assessorado), o assessor de imprensa (contratado pelo assessorado) e a informação (objeto de divulgação).

Quanto à relação assessor e assessorado, o autor destaca que há dois aspectos que devem ser considerados. “Um diz respeito à natureza da instituição (…). Outro, ao perfil psicológico do dirigente dessa instituição.” (2003, p. 315). Ele exemplifica dizendo que privilegiar somente as ações da organização é um risco para o assessor que possui cliente com personalidade egocêntrica e ego elevado. A regra vale para o oposto, ou seja, quando o assessor beneficia apenas o seu superior, diminuindo a importância da entidade.

É difícil medir quanto se deve evidenciar a organização ou o seu chefe. Explica Milhomem que, “a rigor, a instituição deveria estar sempre em primeiro lugar. O líder só deveria aparecer em conseqüência do êxito obtido pela instituição, o qual depende de todo o corpo de funcionários.” (Idem, p. 317). Porém, em alguns casos, o sucesso da organização é resultado estrito da visão e da competência de seu superior, merecendo prestígio e credibilidade. Cabe ao assessor analisar o que desperta mais interesse jornalístico, dentro dos princípios de noticiabilidade.

Uma das situações mais delicadas é quando o cliente se julga notícia e o assessor precisa explicar-lhe que está apenas no mérito do jornalista decidir quais acontecimentos têm projeção suficiente para tornar-se notícia. Para que este diálogo ocorra da melhor maneira possível é necessário que o assessor tenha liberdade e credibilidade com o seu superior.

Lopes (2000) defende que, para atuar com eficiência na mediação entre a instituição (e seu dirigente) e os veículos de comunicação, o assessor de imprensa precisa ser visto como parceiro, em processo de confiança absoluta. Isto implica ser tratado com respeito, pois o assessor, mais do que o chefe de uma entidade, tem capacidade de discernir sobre o que mais interessa à mídia.

Da mesma maneira que os patrões e as organizações possuem características distintas, também os assessores têm perfis profissionais e pessoais diferentes. O mais interessante, para o assessorado, é contratar um profissional de AI que possua as características mais adequadas com as suas e com as de sua empresa. Para explanar a importância da boa escolha do assessor, Milhomem diz que este “possui também o poder de conduzir os rumos de uma instituição ou de um cliente em particular. O perfil do assessor influencia muito na adoção de políticas voltadas para o público.” (2003, p. 319). Um assessor que possui a credibilidade de seu cliente e que acredita no poder de visibilidade de sua instituição, terá enormes chances de transformar essa organização em uma importante referência no seu campo de atuação.

Uma pessoa contrata um assessor de imprensa para, entre outras funções, ajudá-lo a descobrir o que, em sua instituição, pode atrair os jornalistas. Milhomem observa que, apesar desta afirmação parecer ser óbvia, muitos assessorados não admitem desconhecer o que interessa aos jornalistas. Nestes casos, é dever do assessor “orientar, aconselhar e até mesmo conduzir o cliente.” (Idem, p. 314). Apenas aceitar fazer tudo o que o chefe o mandar “diminui o papel do assessor, que passa a ser mero cumpridor de ordens, executor acrítico de tarefas nem sempre jornalísticas (…).” (Idem).

A relação assessor e assessorado deve guiar-se pelo diálogo, pela confiança, pelo respeito e pelo comprometimento mútuo. Milhomem acredita que, para que isto aconteça, o assessor de imprensa deve considerar que

A noção clara do fazer jornalístico (o que é notícia e como, quando, onde, por que e a quem divulgá-la), os contatos estratégicos nos meios de comunicação (uma boa caderneta de telefones), sensibilidade no trato com o cliente (saber exatamente quando ser passivo, propositivo ou impositivo) e uma visão prospectiva (que lhe permita antecipar problemas e soluções) garantem ao assessor de imprensa a credibilidade e o espaço necessário dentro de qualquer organização (…). (Idem).

Kopplin e Ferrareto complementam que o assessorado deve tratar o assessor de imprensa como um profissional especializado na área de comunicação e, portanto, o mais apto a administrar o contato com os jornalistas. Os autores manifestam que a interação satisfatória entre assessor e assessorado deve estabelecer-se “num nível extremamente profissional, com respeito à capacidade e áreas de domínio de cada um. Se houver atritos ou falta de entendimento entre ambos, o resultado será um trabalho de comunicação incompleto e ineficiente.” (2001, p. 50).
…………………

REFERÊNCIAS

MILHOMEM, Luciano. Relacionamento assessor/assessorado: entre tapas e beijos. In: DUARTE, Jorge. Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia: teoria e técnica. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2003. 411 p.

LOPES, Marilene. Quem tem medo de ser notícia? São Paulo: Makron Books, 2000. 91 p.

FERRARETTO, Luiz Artur; KOPPLIN, Elisa. Assessoria de imprensa: teoria e prática. 4.ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2001. 149 p.

Fonte: Estudos de Assessoria de Imprensa

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Comunicação Empresarial: As redes sociais e a imagem das organizações

Posted by analisesdejornalismo em outubro 29, 2013

*Wilson da Costa Bueno

A imagem e a reputação das organizações constituem-se em ativos intangíveis de grande valor e precisam ser constantemente monitoradas. Isso significa que elas não podem ser deixadas “ao deus dará” porque as redes costumam ser muito sensíveis notadamente em momentos de crise. Imagem e reputação devem seguir o exemplo dos botecos bem sucedidos: estar o tempo todo sob o olhar do dono.

Mas como fazer isso, se as redes sociais (que incluem o Orkut, o Facebook, o Twitter, a chamada blogosfera toda – um blog a cada segundo – e muito mais), os grupos de discussão costumam ser muito dinâmicas, arredias a qualquer tentativa de análise?

Certamente o esforço não é pequeno e não deve ser tentado por amadores, mas a velocidade e a aceleração das informações nas redes podem, a exemplo das corridas de cavalo, dos lances espetaculares de uma partida de futebol, ser congeladas num determinado momento. Estes flagrantes podem evidenciar processos, realidades, tendências e são fundamentais para compor a estratégia de defesa e fortalecimento da imagem e da reputação das organizações.

As comunidades no Orkut, os perfis no Twitter, os endereços dos blogs são públicos e podem ser resgatados a partir de “sistemas de buscas” gerais ou específicos, assim como é possível recuperar expressões, palavras (por exemplo, nomes de organizações, de marcas, de pessoas) valendo-se, quase sempre, de buscadores associados a estes ambientes interacionais.

Os blogs podem ser acompanhados pelo Technorati, o Twitter pelo Search Twitter e o próprio Orkut e o Facebook têm internamente sistemas que permitem identificar temas, pessoas etc. O mesmo vale para grupos de discussão no Google, Yahoo, Grupos.com.br etc. Há sistemas alternativos que também fazem esta varredura e até empresas especializadas nesse mister.

Na prática, esta é a primeira etapa de um trabalho de monitoramento das redes sociais, assim como o clipping (impresso, eletrônico ou dos jornais on line) é o início de um processo de auditoria de imagem na mídia.

Mas é aí que começa a encrenca (alguém pensou que seria fácil?). O problema não está apenas em resgatar as mensagens (posts, tweetes, comentários, e-mails etc) mas em definir uma forma ( metodologia é a palavra mais indicada!) de avaliar o que se pretende. Monitorar não signifiva apenas coletar dados, informações mas sabê-los interpretá-los adequadamente. Quantas organizações já têm hoje esta competência?

Há várias perguntas que podem ser feitas (e respondidas) e e que podem contribuir para a definição de um roteiro para facilitar a construção de um projeto de auditoria de imagem para as redes sociais
:
1) O que se deseja monitorar? A imagem/reputação da organização? A imagem de marcas? A Imagem de pessoas? É pra acompanhar apenas uma empresa ou também os seus concorrentes?
A organização tem que ter os seus objetivos absolutamente claros porque é a partir deles que será organizado o resgate do material sobre ela, definidas as palavras-chave nos sistemas de busca e assim por diante. Um conselho: o negócio é ser seletivo neste momento porque não adianta querer varrer tudo porque se pode recuperar um volume tão grande de informações e tão disperso que a análise ficará comprometida. Seria incorrer no mesmo erro que algumas assessorias/agências cometem na auditoria de imagem na mídia quando confundem medição de clipping com avaliação da presença ou visibilidade das organizações. Busque e avalie apenas o que é relevante, pertinente, estratégica. Muita informação é diferente de boa informação.

2) Que perspectiva ou perspectivas se pretende incorporar na análise? Essencialmente qualitativa? Essencialmente quantitativa? Ou, o que é o ideal , harmonizar as perspectivas quantitativa e qualitativa porque é necessário sempre saber quem fala, quanto fala, com que públicos interage e com que grau de intensidade.

Isto feito, será possível estabelecer indicadores de presença ou de menção nas redes sociais (quantos falam e quantos são atingidos?), avaliar a angulação das opiniões e mensagens (positiva ou negativa), fazer a qualificação das fontes (nível de influência que podem ter, o que não é apenas ver quantos seguidores uma determinada fonte tem no twitter), detalhar os temas associados à organização etc etc.

3) O momento seguinte é criar um protocolo (tabelas, escalas ) para sistematizar a coleta de dados, permitindo agrupá-los segundo categorias previamente definidas. Aqui entram o conhecimento e a criatividade do pesquisador/consultor, sempre em sintonia com a proposta, os objetivos da organização. Essa história de projeto padronizado de auditoria não vale para o velho monitoramento da mídia impresso e se mostra totalmente inadequado para as redes sociais, muito mais fugidias e complexas.

4) Finalmente, é feita a análise propriamente dita e que flui dos dados sistematizados, culminando com uma série de conclusões e recomendações. Tudo isto irá compor o relatório a ser encaminhado à chefia ou interessados (se a auditoria é feita pela equipe interna da organização) ou ao cliente (se ela for realizada por agência ou assessoria/consultoria terceirizada).

Uma dica fundamental: em todos os casos , será necessário um período de teste para avaliar a consistência das categorias de análise, a abrangência dos sistemas de busca e mesmo a adequação dos protocolos definidos para a consolidação dos dados. É boa prática em pesquisa proceder a um pré-teste para calibrar os instrumentos de análise e ela se aplica (e como) também a esta situação particular. Recomenda-se que este período não seja muito reduzido porque estamos lidando com realidades novas (os projetos tradicionais de auditoria já têm sido há anos testados na prática, mas os que envolvem as redes sociais, não) e a pressa, nesse caso, é mais do que nunca inimiga da perfeição. Esta deve ser buscada mas nunca será obtida nos trabalhos em comunicação porque ela, assim como as ciências humanas em geral, têm a mania de serem desobedientes, rebeldes, com contornos às vezes surpreendentes, não flagrados por instrumentos toscos.

Há equívocos recorrentes e que podem (e costumam) ser cometidos nos projetos de monitoramento das redes sociais mas, dado o escopo deste artigo, vamos mencionar apenas três deles, talvez os principais: a) fazer este acompanhamento por um período curto ou esporadicamente e não vê-lo com uma perspectiva essencialmente estratégica; b) ter como objetivo o desejo de neutralizar /calar as vozes divergentes – pressionar os adversários nas redes sociais; c) ignorar que as redes sociais não podem ser controladas porque não têm fim ou começo, grandes líderes etc.

No primeiro caso, não se pode repetir o erro de organizações que contratam, de vez em quando, projetos de auditoria de imagem apenas como mero registro ou curiosidade. Ou a auditoria vai ser feita sistematicamente para permitir a intervenção imediata ou ela não tem qualquer valor estratégico. Se é para avaliar a “brincadeira” tem que ser para sempre porque organização séria não brinca de faz de conta, tipo “vamos ver o que estão falando da gente na rede”?

Já a intenção de descobrir e silenciar as vozes discordantes, que impactam a imagem ou reputação das organizações, não faz muito sentido porque as redes sociais costumam funcionar como uma Rádio Peão planetária , muito sensível ao autoritarismo, à falta de sensibilidade ou à tentativa de pressionar blogueiros, twitteiros etc. Muitas vezes é isso mesmo que desejam aqueles que têm opinião contrária. O ideal é que a organização tenha humildade, inteligência e que tente descobrir os motivos , as razões pelas quais aquela informação, posição etc está sendo veiculada. Muitas organizações correm atrás dos efeitos e se esquecem de resolver as causas.

É sempre bom não esquecer (vale como exemplo): os twitteiros , blogueiros ou integrantes de um grupo de discussão (as tribos cibernéticas) falam mal do Speedy porque ele dá apagões sucessivos, vociferam contra os bancos porque eles cobram juros extorsivos, detonam as agroquímicas por elas emporcalham o meio ambiente com o veneno que fabricam. Ou são como eu: colocam a Monsanto, Souza Cruz, farmacêuticas ou o amianto na berlinda porque são, respectivamente, empresas e produto que andam repetidamente pisando na bola, penalizando os cidadãos. E os exemplos não ficam por aí, infelizmente, porque podemos citar a arrogância da comunicação da Vale e da Petrobras, o descaso das empresas aéreas com os seus clientes , o preconceito do Carrefour contra negros e homossexuais e os sucessivos crimes de assédio moral da Ambev. A lista é imensa e não dá para finalizá-la aqui. Mas as redes sociais se incumbem de punir exemplarmente as empresas que cometem deslizes éticos, afrontam o meio ambiente e maltratam os seus próprios funcionários (A Embraer deu de uma vez só uma facada nas costas de 4.200 “colaboradores” e achava que ia ficar de graça?).

Por fim, as organizações precisam estar cientes de que as formas de controle tradicionais não funcionam aqui (é muito mais fácil cooptar certos empresários de comunicação prometendo anúncios para impedir que os seus veículos falem mal das organizações!). Levar os integrantes das redes sociais para os tribunais, usar a mão forte da censura para impedir que falem delas, pedir o fechamento de comunidades no Orkut etc só ajuda a aumentar as labaredas, funciona como combustível para as redes sociais.

Há muitos desafios a enfrentar mas é melhor que as organizações comecem a se capacitar agora para essa luta e mudem de postura: a época do conforto institucional acabou. As redes sociais terão cada vez mais gente, serão cada vez mais críticas e perdoarão cada vez menos as mazelas, os desrespeitos, a truculência e a falta de competência ou profissionalismo das organizações. Ao contrário do que se pode imaginar, lidar com as redes sociais não é tarefa para amadores.

Ou as estruturas (e posturas) de comunicação das organizações assumem definitivamente um perfil estratégico, respaldado em bancos de dados, metodologias refinadas, visão abrangente e compromisso com o bom relacionamento com os públicos de interesse ou estarão correndo sério risco de esvaziamento ou deterioração.

O jogo está aí para ser jogado. Para vencer nas redes sociais, o segredo não está na força, mas na inteligência, na criatividade, no talento em comunicação.

A onça definitivamente vai beber água. Os profissionais éticos e que não perdoam o amadorismo em comunicação estarão, como eu, em cima da árvore, à beira do rio, vendo as organizações incompetentes, autoritárias, não profissionais que se aproximam incautas do formidável felino. As redes sociais costumam pegar estas organizações na jugular. É morte certa. Mas de agora em diante, ninguém pode alegar que foi por falta de aviso. E uma dica final: pior do que não ver a onça e ser por ela atacada é cutucá-la com vara curta. Pode ser fatal.

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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e professor de Jornalismo da ECA/USP. Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa. (comunicacaoempresarial.com.br)

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Comentários sobre Marshall McLuhan

Posted by analisesdejornalismo em outubro 29, 2013

Criador da idéia de “aldeia global” trouxe para a educação novo enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação. “Uma rede mundial de ordenadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”. Em tempos de internet, essa frase é óbvia. Quando foi dita, há 25 anos atrás, parecia extraída de um livro de ficção. O autor, um canadense chamado Marshall McLuhan, foi chamado de sonhador a louco, conforme a simpatia que suas idéias provocavam.

Em1964, McLuhan publicou um livro chamado Understanding Media, que, em português ganhou o título de Os meios de comunicação como extensões do homem. Ao publicá-lo, talvez não imaginasse que estava lançando um dos clássicos da comunicação – mais discutido do que lido, mais desprezado do que estudado.

A grande novidade do autor em relação à educação é o enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação – mais uma vez, adiantando-se à criação de um campo de estudos, Comunicação e Educação, que só seria explorado na década dos 90.

“Em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorre fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excede, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares”, explica McLuhan, em seu livro Revolução na Comunicação.

McLuhan propõe que, até o surgimento da televisão, vivíamos na “galáxia de Gutemberg” onde todo o conhecimento era visto apenas em sua dimensão visual. Sua idéia é simples: antigamente, o conhecimento era transmitido oralmente, por lendas, histórias e tradições. Quando Gutemberg inventou a imprensa, permitiu que o conhecimento fosse mais difundido. Mas, por outro lado, reduziu a comunicação a um único aspecto, o escrito. “Antes da imprensa, o jovem aprendia ouvindo, observando, fazendo. A aprendizagem tinha lugar fora da aula”, explica o autor.

Lauro de Oliveira Lima, um dos maiores especialistas brasileiros em Jean Piaget mostra, em Mutações em Educação Segundo McLuhan, que “o professor brasileiro não atingiu sequer a utilização do livro. Comporta-se ainda como o ‘lector’ medieval que recitava papiros e pergaminhos para uma platéia analfabeta”.

Crítico feroz da escola tradicional, o autor canadense aponta os defeitos do sistema atual, que, segundo ele, prefere criticar a mídia, em vez de utilizá-la como aliada na educação. “Poucos estudantes conseguem adquirir proficiência na análise de um jornal. Ainda menos têm capacidade para discutir com inteligência um filme.” Irônico, afirma que “a educação escolar tradicional dispõe de um impressionante acervo de meios próprios para suscitar em nós o desgosto por qualquer atividade humana, por mais atraente que seja na partida”.

Um erro, em sua concepção, é a orientação da escola com vistas exclusivas ao mercado de trabalho. “A educação era, até agora, uma tarefa relativamente simples: bastava descobrir as necessidades da máquina social e depois recrutar e formar o pessoal que a elas correspondesse”, explica o autor no livro de Oliveira Lima.

Mais do que a matéria extraída de livros, afirma McLuhan, o ponto de partida para a educação é a vontade do aluno em aprender. “Onde o interesse do estudante já estiver focalizado, aí se encontra o ponto natural de elucidação de seus problemas e interesses”, completa. “A educação escolar tradicional suscita em nós o desgosto por qualquer atividade humana”

Um de seus mais famosos conceitos é o de “aldeia global”. Em seu livro O meio é a massagem afirma que “a nova interdependência eletrônica cria o mundo à imagem de uma aldeia global”. Quando ele falou isso, a coisa mais parecida com internet que existia eram as redes de computadores militares norte-americanas. Computador pessoal era apenas um sonho, distante.

A evolução tecnológica deixa, aqui, de ser mera coadjuvante na vida social: o que é dito é condicionado pela maneira como se diz. O próprio meio passou a ser a principal atração, a informação. Muitas das páginas que estão na internet, por exemplo, poderiam ser livros ou revistas, mas, segundo McLuhan, tornam-se interessantes justamente por que estão em um novo meio de comunicação.

Isso não significa, é claro, ser passivo diante da mídia. “A tarefa educativa não é fornecer, unicamente, os instrumentos básicos da percepção, mas também desenvolver a capacidade de julgamento e discriminação através da experiência social corrente”, diz o autor.

Uma das mais curiosas idéias de McLuhan é a de que “os meios de comunicação são extensões do homem”. Assim como se usa uma pinça para aumentar a precisão das mãos e uma chave de fenda para girar um parafuso, os meios de comunicação seriam, na verdade, extensões dos sentidos do homem. Os óculos, por exemplo, são extensões do olho, a roupa é uma extensão da pele, a roda do carro é uma extensão do pé. Com a internet, não deixa de ser curioso se falar em “relações virtuais”, como se as máquinas fossem realmente capazes de sentir e pensar pelos seus operadores.

Muito antes de alguém falar em “aspectos lúdicos da educação”, McLuhan já dizia que o estudo deveria ser uma atividade divertida. A escola, para ele, ainda não tinha percebido essa realidade óbvia. E completa: “É ilusório supor que existe qualquer diferença básica entre entretenimento e educação. Sempre foi verdade que tudo o que agrada ensina mais eficazmente”.

O pajé da aldeia global

Herbert Marshall McLuhan nasceu em 1911, no Canadá. Formado pela Universidade de Manitoba, lecionou em diversas faculdades de seu país até conseguir o Ph.D. em Cambridge, em 1942. Tornou-se professor titular de literatura na Universidade de Toronto em 1952, cargo que exerceu durante toda a sua vida. Autor de inúmeros artigos para revistas científicas, tornou-se mundialmente famoso em 1964 ao publicar Understanding Media, onde expunha suas teses sobre a tecnologia e o conhecimento. Acumulando prêmios, defensores e inimigos, McLuhan publicou outros livros divulgando suas idéias, mantendo sempre a linha polêmica até sua morte, em 1980.

O profeta da eletrônica deixou muitos livros e artigos; a maioria esgotados no Brasil, alguns facilmente encontrados em sebos

Os meios de comunicação como extensões do homem (Cultrix)
A Galáxia de Gutemberg (Cultrix)
Revolução na Comunicação, (Jorge Zahar)
O meio é a massagem, (Record)

Fonte: Revista Educação (nº 46, 10/2001)
Maria Isabel Moura Nascimento. GT: Campos Gerais-PR-Universidade Estadual de Ponta Grossa-UEPG

http://www.histedbr.fae.unicamp.br/

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O liberal Lippmann é pioneiro para os estudos de jornalismo

Posted by analisesdejornalismo em outubro 27, 2013

Por Lia Seixas

Walter Lippmann, hoje um autor clássico nos estudos de jornalismo, passou pelo socialismo, morreu liberal e falou pela primeira vez proposições repetidas por vários pesquisadores por todos esses anos, desde 22, quando publicou “Opinião pública” (livro que lemos no grupo e para o qual fizemos uma apresentação, que vai aqui sem muita formatação, mas com o que consideramos importante destacar sobre essa obra e o autor). Lippmann questionou a democracia, discutiu o socialismo em sua famosa coluna de jornal.

A tese do livro, para nós, é que a opinião pública é baseada em estereótipos. Defende que as notícias seriam um produto estandardizado. Daí, alguns autores (como Jorege Pedro Sousa) considerarem que ele antecipou a teoria da construção da realidade. O cidadão comum não teria informação de qualidade. Lippmann, por isso, é considerado um autor elitista. Curioso que ele seja tão incensado hoje por intelectuais que discordam disso.

Lippmann disse pela primeira vez afirmações acreditadas e algumas fortalecidas hoje, como: cobertura é fragmentada (episódica) e descontextualizada (p.190 de “Public Opinion” – ver referência abaixo); o material jornalístico precisa ser estilizado (linha editorial); a existência da hierarquização; a necessidade da rotina para o editor (p.191 de “Public Opinion” – ver referência abaixo ); a necessidade do assessor de imprensa; o jornal tem que fazer com que o leitor se identifique. Defendeu a necessidade de uma formação específica para o jornalismo.

Discutiu pela primeira vez:
A. a diferença entre o “mundo exterior” e  “as imagens em nossas cabeças” (imagens estereotipadas da realidade);
B. o conceito de verdade no jornalismo;
C. democracia. A democracia não garantiria “informação perfeita”;

Criou conceitos:
1. manufactured consent = o jornalismo contribui para construir consensos;
2. pseudo-ambiente:
“Para Lippmann, é evidente o papel que essas “imagens em nossas cabeças” têm na formulação de crenças preconcebidas. E aqui podemos entrar em outro conceito pioneiro do pesquisador norte-americano, o de pseudo-ambiente, apontado como o conjunto de imagens criadas indiretamente pela ação da mídia e do noticiário em nossos mapas mentais. Ou seja, uma realidade estruturada não com as informações e o conhecimento obtidos por experiências vivenciadas por nós mesmos, mas sim, uma realidade aprendida com aquilo que obtemos da mídia” (LENZI, 2009, disponível em Observatório da Imprensa).

Contexto
Em 22, já havia passado a primeira guerra mundial. O lead é de 1920. Discutia-se o nascimento do jornalismo moderno, fundamentado na publicidade. Pesquisava-se com a teoria hipodérmica. Discutia-se jornalismo como espelho da realidade. Já era forte a discussão do socialismo. A Revolução Bolchevique começa em 1917. O primeiro livro do “Capital” começou a ser lançado em 1867. Ele tinha uma compreensão pessimista da mídia da época, quando os pesquisadores são influenciados pela I Guerra.

Creio que valor-notícia só veio a ser debatido na década de 60, portanto em 22 Lippmann inaugura, mas pelo viés da política e da opinião pública. Nele estaria também, defende-se, a origem do conceito de agendamento. Kunczik cita Daniel Hartnack, que teria sido o primeiro a defender tese sobre jornalismo em 1688. Depois cita Tobias Peucer, ao tratar da publicação de jornais na Alemanha em 1690. Falava-se em tipos de eventos. Ele é considerado o primeiro autor a empregar o termo “valores informativos”. O atigo “Para pensar critérios de noticiabilidade” de Gislene Silva destaca: “Lippman: clareza, surpresa, proximidade geográfica – leitor tem que se identificar; impacto e conflito pessoal”.

Autor

De família judia abastada, ele nasceu em 23 de setembro de 1889 em Nova York. Entrou tarde na universidade (depis de 10 anos já de jornalismo). Fez Harvard. Foi editor da “New Republic and World”. Escreveu a coluna “Today and Tomorrow”, com a qual ganhou 2 prêmios Pulitzer. Saiu em 1920 (quando tinha 31 anos) da New Republic de foi para New York World. Foi assessor de republicanos e democratas. Escreveu outros livros: A preface to politics (1913), Drift and Mastery (1914; no qual rejeitou o socialismo); A teste of the news (1920); The Cold War, Liberty and the News (1920) , além de Public Opinion (1922) e The Phantom Public (1925). Nestes dois últimos, entende-se que Lippmann colocou dúvidas sobre a possibilidade de uma verdadeira democracia nas sociedades complexas. Depois da segunda guerra, ele voltou para o liberalismo. Tinha visão elitista da sociedade. Ele morreu em dezembro de 1974. Seus campos de conhecimento, então, eram o jornalismo e a política.

Referências

BLUMENTHAL, Sidney. Walter Lippmann and the American journalism today. Open Democracy, 2007. Disponível em: http://www.opendemocracy.net/article/democracy_power/america_inside/walter_lippman.

CUNHA, I.; CABRERA, A.; SOUSA,J.; Pesquisa em Mídia e Jornalismo, Homengagem a Traquina (orgs.) Covilhã: Labcom Books, 2012. Disponível em: http://www.livroslabcom.ubi.pt/book/90. (Destaque para capítulo 02 e 04)

KUNCZICK, Michael. Conceitos de jornalismo; norte e sul. São Paulo: Edusp, 2001.

LENZI, Alexandre. Lippmann, Kovach e Rosenstiel, um diálogo após décadas. Observatório da Imprensa, edição 556, 2009. Disponível em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/lippmann_kovach_e_rosenstiel_um_dialogo_apos_decadas.

LIPPMANN, Walter. Public Opinion. Nova Yirk: Dover Editions, 2004. (livro de 1922. Destaque para a parte VII, “Jornais”)

PADILHA, Sônia. Os valores-notícia no webjornalismo. Anais do 10º SBPJor, Curitiba, 2012. Disponível em: http://soac.bce.unb.br/index.php/ENPJor/XENPJOR/paper/viewFile/1689/286. (Tem um bom histórico dos estudos sobre valor-notícia)

SILVA, Gislene. Para pensar critérios de noticiabilidade. In: Estudos em Jornalismo e Mídia 
Vol.II Nº 1 – 1º Semestre de 2005. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/2091/1830. (Virou um clássico com a diferenciação entre as noções de valor-notícia e critérios de noticiabilidade)

SPARTACUS EDUCATIONAL. Walter Lippmann. Disponível em: http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/USAlippmann.htm. (Detalhe: dentro de “Political Leaders”)

SOUSA, Jorge Pedro. Pesquisa e reflexão sobre jornalismo até 1950: a institucionalização do jornalismo como campo de conhecimento e campo científico. Biblioteca On-Line de Ciências da Comunicação. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-pedro-pesquisa-e-reflexao-sobre-jornalismo-1950.pdf.

Fonte: Núcleo de Estudos em Jornalismo.

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Livro fundamental sobre as teorias do jornalismo e da comunicação

Posted by analisesdejornalismo em outubro 16, 2013

Obra apresenta linguagem didática de fácil aprendizagem e com conteúdo contextualizado

Capa_1mbAcaba de chegar ao mercado editorial o livro Teorias e Técnicas da Comunicação e do Jornalismo. De autoria do jornalista e professor de História Bruno Barros Barreira, o livro vem com uma linguagem didática, ministrada de forma contextualizada, característico das aulas do professor que traduz todo o conteúdo para facilitar o aprendizado.

O professor afirma que o objetivo foi fazer um livro que, finalmente, reúna as principais teorias da comunicação e do jornalismo que caem em concursos públicos de forma descomplicada. “Geralmente, os livros atuais ou são dedicados às teorias da comunicação ou às teorias do jornalismo. Além disso, grande parte deles vem com uma linguagem acadêmica, dedicada a especialistas. Este livro veio com a preocupação de, além de reunir as principais teorias num só livro, vir com uma linguagem didática e contextualizada, comum às salas de aula”, afirma.

Além das teorias, a obra também traz um capítulo inteiro dedicado às técnicas do jornalismo, com ensinamentos sobre Pauta; Estrutura da Notícia e da Reportagem; Tipos de Fontes e o lidar com as fontes; Entrevista; Ética Jornalística e Novas Mídias.

 Veja quais são as teorias e técnicas abordadas.

Capítulos

1)     Teorias da Comunicação

1.1          Teoria Hipodérmica

1.2          Teoria da Abordagem Empírico-Experimental ou da Persuasão

1.3          Teoria da Abordagem Empírica em Campo ou dos efeitos limitados

1.4          A Teoria Funcionalista das Comunicações de Massa

1.5          A Escola Canadense – Meios e Mensagens

1.6          A visão brasileira – A Folkcomunicação

1.7          A Teoria Crítica – Indústria Cultural

1.8          A Teoria Culturológica

1.9          Os Cultural Studies

1.10        Teorias Estruturais da Comunicação

2)     Teorias do Jornalismo

2.1          Teoria do Espelho

2.2          Teoria do Gatekeeper ou Teoria da Ação Pessoal

2.3          Teoria Organizacional

2.4          A Teoria de Ação Política ou Teoria Instrumentalista

2.5          Teoria da “Distorção Involuntária”

2.6          Teoria Etnográfica

2.7          Teoria do Agendamento (Agenda-Setting)

2.8          A Perspectiva da Espiral do Silêncio

2.9          Teoria do Newsmaking ou Teoria Construtivista

2.10        Teoria Estruturalista ou Teoria dos Definidores Primários

2.11        Teoria Interacionista

3)     Princípios, Conceitos e Técnicas do Jornalismo e da Comunicação

3.1          Comunicação

3.2          Mídias: Os Meios de Comunicação de Massa

3.3          Novas Mídias

3.4          O Jornalismo

3.5          A Pauta

3.6          Entrevista (Conceito Geral)

3.7          Processo de Entrevista e Recomendações Gerais

3.8          Os Tipos de Entrevistas

3.9          A relação do Jornalista com As Fontes de Informação

3.10        Os Tipos de Fonte

3.11        A Estrutura da Notícia

3.12        A Reportagem

3.13        A questão da Subjetividade e da Objetividade e sua Relação com a Ética Profissional

3.14        Código de Ética dos Jornalistas

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