Análises e Estudos do Jornalismo

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A mídia tradicional e a ilusão do controle

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Por *Luciano Martins Costa

As grandes empresas brasileiras de comunicação se reuniram nos dois últimos dias em São Paulo para discutir o futuro do setor. Com pouquíssimas variações, o teor dos discursos foi mais uma repetição do que vem sendo dito desde… 1993. A palavra de ordem, segundo os jornais desta quinta-feira (7/11), é a mesma de quando a imprensa foi impactada pela criação do primeiro browser comercial da internet, o Mosaic. Vinte anos depois da ruptura provocada pela tecnologia digital, os gestores de jornais ainda falam de sinergia como a panaceia de todos os negócios.

O Seminário Internacional de Jornais é uma iniciativa da INMA, sigla em inglês para Associação Internacional de Marketing de Imprensa, evento que reúne dirigentes e profissionais de marketing de empresas jornalísticas. Faz parte do esforço do setor para interromper a crise que se desenrola com a perda de receita da publicidade e queda nas vendas. Os temas do encontro incluem o efeito da expansão da mobilidade do público, pela popularização dos telefones com acesso à internet; as novas competências do setor; a publicidade digital e a construção de marcas multimídia.

O evento não parece entusiasmar as empresas, uma vez que apenas o Globo e a Folha de S. Paulo têm dado algum espaço para os debates. Pelo que se pode ler dessas fontes e do site oficial do seminário, trata-se de mais do mesmo, ou seja, os gestores da imprensa seguem repetindo o que declaram há vinte anos, com poucas variações. O novo nome da sinergia é “multiplataforma”, ou seja, os jornais acreditam que basta juntar numa mesma sala os editores e os profissionais de Tecnologia da Informação para produzir conteúdos que possam ser aproveitados em todas as mídias, que tudo estará resolvido.

O representante do Estado de S. Paulo anunciou que desde agosto o jornal paulista tem equipes multimídia, com jornalistas e técnicos trabalhando lado a lado. Ele esqueceu ou ignora que o projeto original do Estado na Internet já funcionava com equipes mistas desde o primeiro dia, no início dos anos 1990, e que o primeiro nome da iniciativa era Estadão Multimídia. De lá para cá, o que era futuro se tornou realidade, mas as empresas jornalísticas seguem discutindo a “sinergia”.

Quanto vale a notícia?
Também se falou muito do sucesso obtido com o modelo de cobrança para o acesso a notícias, que, segundo os relatos disponíveis, tem permitido aumentar a audiência e registra algum avanço na receita. Mas não há referência ao fato de que o aumento do número de leitores nas versões digitais dos jornais não produz o crescimento correspondente do ganho com publicidade. Por outro lado, os gestores de jornais elegeram como inimigos preferenciais o Google e o Facebook, tomando como critério apenas o que consideram valor de face da notícia.

A grande “sacada” geral das empresas de comunicação é que, duas décadas depois do big bang da internet, “o jornal não é mais um produto, mas uma plataforma de muitas faces, que tem no conteúdo de qualidade o seu maior valor”, conforme declarou o representante do Globo. A frase é boa, mas esconde o grande dilema do setor: a questão da imprensa não é mais o modelo de negócio, mas a própria natureza da atividade jornalística. A grande pergunta é: quanto vale a mediação num ambiente em que cada pessoa é potencialmente uma mídia?

A disputa dos jornais com o Google e o Facebook se refere às margens de ganho de cada parte, comparada ao peso de cada um na produção e distribuição do conteúdo jornalístico. Mas essa discussão não leva em conta, no lado da imprensa, que as duas potências digitais são os protagonistas centrais no contexto em que se desenvolvem novas formas de vínculos sociais. Seria certamente mais produtivo se a mídia tradicional buscasse um acordo para se propor como um sistema de ancoragem dos conteúdos que trafegam nas redes digitais, abandonando a ilusão de que ainda ocupa o centro do ecossistema comunicacional.

Acontece que os jornais vivem uma ilusão do controle. Seus dirigentes imaginam que ainda controlam o fluxo da comunicação na sociedade contemporânea. No entanto, já não falam diretamente à sociedade, mas cumprem um papel marginal, dialogando com as instituições. Por exemplo, os jornais falam aos partidos políticos, mas não aos eleitores. No dia em que o Google e o Facebook decidirem apoiar cooperativas de jornalistas, criando seus próprios conteúdos com novas marcas, a imprensa que conhecemos vai virar passado.

* Jornalista, escritor e colaborador do Observatório da Imprensa.

Fonte: Observatório da Imprensa

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Jornalista está em lista de profissões que mais atraem psicopatas

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

A revista The Week divulgou pesquisa sobre as profissões que mais atraem os psicopatas. De acordo com a publicação britânica, falta de empatia, irritabilidade e agressividade são as principais características de pessoas que sofrem do distúrbio de personalidade.

0-0-0-0-0-0dexterNa TV, Dexter é analista forense (Imagem: Divulgação) Os presidentes de empresas encabeçam o ranking de 10 profissões que mais atraem psicopatas. Em segundo lugar estão os advogados, seguidos por profissionais de mídia. Os jornalistas estão na sexta posição da lista. Para a revista, as funções exigem decisões objetivas, sem usar os sentimentos.

Confira as 10 profissões que mais atraem psicopatas:

1 Presidente de empresas
2 Advogado
3 Profissional da mídia (TV/Rádio)
4 Vendedor
5 Cirurgião
6 Jornalista
7 Policial
8 Líder Religioso
9 Chef
10 Funcionário Público

Fonte: Comunique-se

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Trabalhadores da EBC aprovam continuidade da greve

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) decidiram, em assembleia simultânea realizada Brasília (DF),0-0-0-0-0-0greveebc Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) na segunda-feira (11/11), continuar em greve iniciada na quinta (7/11). Os trabalhadores decidiram que não irão abrir mão dos direitos conquistados e também continuarão na luta pelo ganho real.

A EBC oferece 1% de ganho real dividido em dois anos, tíquete alimentação extra no fim de 2013 e 2014, vale-cultura. Mas impõe, a partir de demanda do Ministério do Planejamento, a retirada de 10 itens do Acordo e quer a exclusão de outras cláusulas sociais.

(Imagem: Divulgação/ SJPDF)

Na quarta-feira (6/11), a direção da empresa lançou nota de esclarecimento aos funcionários onde manifestou-se “surpreendida pela deflagração da greve de seus empregados”, considerou “ilegítimo o modo como foi deflagrada e anunciada a greve” e referiu-se a instrumentos legais para destacar que “os empregados deverão garantir o funcionamento mínimo dos serviços”.

Segundo Paulo Zocchi, secretário do Departamento Jurídico do SJSP e diretor da FENAJ, que acompanha o movimento dos trabalhadores da EBC em São Paulo, as ameaças feitas pela empresa através do comunicado distribuído só contribuiu para a aprovação da greve nacional.

“No comunicado, a empresa considerou ilegítimo o modo como foi deflagrada e anunciada a greve e que adotaria as medidas administrativas e legais cabíveis para garantir o direito ao trabalho. Não é uma boa maneira de negociar com os trabalhadores”, afirmou.

Na assembleia desta segunda-feira os jornalistas e radialistas mantiveram a contraproposta aprovada na assembleia do dia 5 de novembro, que prevê reajuste linear de R$ 290, aumento de 11% no tíquete alimentação, além de avanços em nove cláusulas sociais, como horas-extras, ocupação de cargos de chefia por concursados, formação, suspensão de punições e abonos de falta. Foi aprovada, também, a continuidade do diálogo com a empresa e o envio de cartas a órgãos do governo e a lideranças políticas reivindicando o apoio às demandas dos trabalhadores.

Depois da assembleia, os funcionários realizaram ato em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para cobrar do governo a liberação dos recursos para o atendimento das reivindicações dos trabalhadores.

Em uma conversa informal com grevistas em Brasília na manhã desta segunda, o presidente da EBC, Nelson Breves, sinalizou que as negociações deverão ser retomadas mediante o cumprimento de duas premissas: fechamento de um acordo coletivo para dois anos e discussão do reajuste salarial em percentuais, e não linear – como querem os trabalhadores. Os funcionários realizam nova assembleia nesta terça-feira (12) para avaliar a mobilização.

Fonte: Fenaj.  Com informações dos Sindicatos dos Jornalistas do DF, SP e Município do Rio de Janeiro

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Fraser Bond e a caça às definições profissionais do jornalismo

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Por Adriana Santiago*

Fraser Bond escreveu o livro em 1954, no contexto de mudanças na sociedade do pós-guerra e a abertura democrática. O jornalismo incorporou todas as tecnologias desenvolvidas na II Guerra Mundial, a televisão tornou-se um meio poderoso, e a propaganda vendia de tudo, produtos ou pessoas. O consumo explodiu. Ao mesmo tempo em que surgiram os beatniks, geração que se voltou contra o materialismo, usou drogas e lutou pela liberdade sexual, um estilo de vida que iria encontrar uma maior aceitação na década de 1960 e 1970 [2]. O cinema e a música roqueira elevaram a necessidade de compreender essa Indústria Cultural [3] (ADORNO & HORKEHEIMER, 1942) e seus efeitos.

No período compreendido entre 1950 e 1956, o congresso estadunidense estava preocupado com a Guerra Fria, um tempo que ficou conhecido como o “terror vermelho” (red scare), Macarthismo ou ainda “caça às bruxas”. O senador republicano Joseph McCarthy começou sua cruzada para livrar os Estados Unidos do comunismo. Esta década viu o crescimento do movimento feminista, dos direitos civis, principalmente contra o racismo, e demais manifestações democráticas que culminaram nas passeatas de 60, daí vê-se a tendência ao democratismo nas elaborações sobre o jornalismo. A necessidade de ver o jornalismo como agente social e promotor de democracia praticamente emerge neste contexto.

O impacto no Brasil

O Brasil, como os demais países latino-americanos influenciados diretamente pelo contexto dos Estados Unidos, reagiu com reflexos claros dessas mudança. Na década de 50 e início dos anos 1960, o jornalismo brasileiro também passava por diversas transformações e sedimentações das suas rotinas e status. Foi um tempo de surgimento novos meios nacionais, da modernização das técnicas e da definitiva profissionalização da atividade. Nesta década, a televisão se consolidou e surgiram as revistas da Editora Abril e a revista de entretenimento Manchete, da Editora Bloch, dando uma nova lógica para o seguimento, incrementando o filão do entretenimento.

O jornalismo tradicional, representado pelo Jornal do Brasil com sua reforma gráfica em 1956, deu o tom a toda a imprensa nacional. O JB, um dos mais importantes do país, modificou a linha editorial, rotina produtiva e introduziu um novo padrão visual para os nossos jornais [4]. O contexto histórico, passa pelo suicídio de Getúlio Vargas e as reformas modernizadoras de Juscelino Kubitschek. O Brasil se modernizava e também entendia o avanço dos meios de comunicação. Desta forma, Luiz Beltrão [5] o tomou como base em seu livro de 1960, quando o jornalismo brasileiro também passava por diversas transformações e sedimentações das suas rotinas e status, e pautou vários estudos no que hoje é chamada no Brasil de Teoria do Jornalismo, durante muito tempo. Hoje é um clássico, e uma pesquisa por citação no Google Acadêmico [6] em páginas do Brasil, a pontam cerca de 300 citações. De Fraser Bond (1962) a Mauro Wolf (1995), busca-se identificar os elementos de interesse da notícia ou critérios de noticiabilidade, ou seja, os atributos que fazem com que determinados fatos rompam a barreira dos gatekeepers (White, 1951) e sejam selecionados como notícia. Afinal, um evento que é notícia hoje, pode não ser amanhã.

O livro

A obra é um manual para estudantes dividido em 25 partes, que detalha as etapas do processo produtivo de 1950, já bastante defasado, porém é bem claro quando trata da necessidade do jornalismo sair do amadorismo, uma vez que as empresas jornalísticas são cada vez mais organizações comercialmente sólidas, sendo necessário situar o profissional na conjuntura e responsabilidade éticas. Assim, avalio como o grande legado o ensaio de definição da razão de ser do jornalismo, tendo como destaque os capítulos que tratam da natureza do jornalismo e das notícias (capítulos I e V). Logo no início, o autor começa tratando da natureza do jornalismo, a partir dos deveres e objetivos da prática, colocando o jornalismo como agente de responsabilidade dentro da sociedade, ou seja, no contexto deontológico. No capítulo ‘Natureza da Notícia’, o autor avança na reflexão do que diz respeito aos “valores da notícia’ e antecipa em 1959, alguns dos 12 critérios de noticiabilidade enumerados por Galtung e Ruge, em 1965 [7]. Veremos mais detalhadamente estes dois capítulos ainda neste ensaio.

Fraser Bond explica didaticamente as várias narrativas e veículos, sempre as vinculando ao interesse do público e ao gosto popular, ao leitor comum, algumas vezes vinculando-os à necessidades de entretenimento e serviços. Explica detalhadamente a organização dos jornais com as várias seções e a empresa em si, assim como rotinas produtivas da época e funcionamento do jornal, enfatizando objetivos e conteúdo, destacando que o jornal tem quatro razões principais pra existir: informar, interpretar, servir (a comunidade, ao leitor, ao anunciante) e a divertir. Ao dizer isto, conecta-se com a lógica do pensamento estadunidense da época, de consumo e democratismo.
Quanto aos conteúdos, além de ensinar a ler um jornal, chama a atenção quando fala de governo e política, estabelecendo já o procedimento de objetividade, atualmente básico, de ‘ouvir’ os lados da notícia.

Antigamente, os jornais americanos interessaram-se principalmente pela política, e davam seu maior espaço às notícias a ela relativas. Frequentemente, isto consistia em pouco mais que propaganda partidária. Hoje o noticiário político tem menos espaço, porém mais exatidão na informação. [….] O hábito crescente, agora, é apresentar opiniões contrárias lado a lado, simultaneamente com exposição da própria opinião do jornal (BOND, 1959, p.113).

Como todo manual, fala dos tipos de narrativa e como escrever o lead, o que é pirâmide invertidas e os tipos de notícias, o estilo e a linguagem usados no jornalismo. Inclusive tenta teorizar sobre o jornalismo e a crítica de arte, tentando classificar suas diferenças em relação à notícias comum, embora deixe claro que o jornalismo sobre as artes não é a crítica literária. “(…)um colunista de jornal frequentemente vê-se apelidado de “crítico”. No caso do jornalista, isto é mais um caso de cortesia, pois a verdadeira crítica é outra coisa que não a apreciação jornalística” (BOND, 1959, p. 216). E já admite, assim, o jornalismo como diversão, que passa pelos usos da ficção, do humorismo e das histórias em quadrinhos, numa perspectiva bem mais ampla, é fato, do que hoje chamamos de jornalismo cultural.

Assim como falou em quadrinhos, também abordou o jornalismo imagético (ou pictórico), passando pelo uso das ilustrações à fotografia e as transmissões radiofônicas, sem entrar muito no contexto da televisão. Na época em que o livro foi escrito, já existiam emissoras de televisão nos EUA há 15 anos, embora a grande maioria da programação voltada para o entretenimento e propaganda política [8], talvez por isso Fraser Bond não tenha dedicado menos espaço para analisar a televisão do que aos impressos. Mesmo no capítulo XX dedicado ao jornalismo no rádio e na televisão, valoriza as rotinas do rádio. Em 1956, quando escrevia o livro, existiam apenas 108 estações de televisão no EUA, mas estavam em fase de expansão e ele vislumbrava que “o futuro papel da televisão como meio de comunicação aparece revestido da maior importância” (p.291). Mesmo assim, descreve as rotinas e funções profissionais que já se delineavam naquele meio.

Entre outras descrições de funções e rotinas do jornalismo, também fala sobre anúncios, publicidade e relações públicas; os arquivos de pesquisa e a necessidade de ser ter a biblioteca de referência, e os envolvimentos legais. Fala da responsabilidade social do jornalista e que não pode fazer injúria e difamação, já situando a diferença entre a liberdade de imprensa e a responsabilidade do jornalismo, detalha os aspectos legais em torno do fazer jornalístico, não só o que tange à ética e defesa de direitos, mas na própria divulgação e direito à informação.
Agora voltando à natureza do jornalismo e da notícia, no capítulo inicial do livro que trata da natureza do jornalismo, é importante observar o que Fraser Bond já inicia a obra tentando classificar os deveres do jornalismo. Uma vez que acredita que as definições de jornalismo variam de acordo com o ponto de vista. “Para o cínico, jornalismo é meramente um comércio; para o idealista, revela-se como uma responsabilidade e um privilégio” (BOND, 1959, p.1).

Os dois conceitos de jornalismo florescem quando há garantias de liberdade, sejam elas merecidas ou não. A primeira filosofia sustenta: “Dê ao povo o que ele quer”, a outra, “Dê ao povo a verdade que ele precisa ter (BOND, 1959, p.1).

O primeiro dever é que a “imprensa deve ser independente. “Apoiar-se em bases econômicas próprias, obtendo seus lucros sem ser subvencionada (BOND, 1959, p.3). As teorizações sobre o jornalismo passam sempre pela independência relacionando à questão do financiamento e modelo de negócio, um forma de alicerce do jornalismo, que sempre se pressupõe independente desde que a subvenção seja pelo público. Contudo, quando se industrializa e aumenta custos, embora também aumente o alcance, essa balança se desestabiliza. Seria o jornalismo uma atividade que não compactua com a comunicação de massa?

É importante levar em consideração a lógica dos fatos bem apurado, como John Thadeus Delane, diretor do jornal londrino The Times de 1841 a 1877, defende. “O dever do jornalista é o mesmo do historiador — procurar a verdade acima de tudo e apresentar aos seus leitores não o que a política estimaria que eles soubessem, mas a verdade tão profunda quanto ele a tenha podido atingir” (BOND, 1959, p.4).
O dever de a imprensa ser imparcial, se coaduna com a lógica conjuntural da época, onde acredita-se na possibilidade

de ideal de imparcialidade ser alcançado pelo jornalismo que evita erros ou tendenciosidade, preconceitos e sensacionalismo, é importante notar a presença do conceito de agente social e responsabilidade. De alguma forma, o ensaio de Fraser Bond coloca o jornalista em uma posição importante de alicerce democrático. Neste ponto, Bond alia-se a Beltrão e Schudson, que também colocam a promoção da democracia como função do jornalismo.

A glória da democracia, como muitos jornalistas têm salientado, está no fato de ser ela uma forma de governo que garante a continuidade dos direitos das minorias que não estão no poder. O jornalismo honesto é exatamente o meio de expressão dessas minorias porque não está sob controle do governo (BOND, 1959, p.4).

Embora, o autor ressalte o tempo como fator determinante da imprecisão, uma dialética digna de reflexão filosófica, diria Beltrão, ainda ressalta como deveres a exatidão, a honestidade, a responsabilidade e a decência.
Quanto trata dos objetivos do jornalismo de informar, interpretar, orientar e entreter (e fala em capítulos mais à frente em servir) o localiza como agente importante de compreensão da sociedade, agente formador de cidadania, embora ressalte que o “jornalismo dedica um esforço crescente à sua função de entreter”.

O pobre mortal comum preso a um labirinto de invenções, teorias econômicas e científicas, precisa ser guiado através de suas dificuldades. Assim, o jornalismo de hoje deve lazer com que chegue ao leitor ou ouvinte, além da notícia de um fato, de um acontecimento ou de uma teoria, também explicações, interpretações, material de base, e diagramas, orientados no sentido de ajudar o indivíduo a compreender melhor o que lê ou ouve. (BOND, 1959, p.6-7).

O autor ainda destaca as críticas feitas ao jornalismo que, normalmente, são feitas por seus maiores entusiastas. A primeira delas é que a imprensa é inexata, seja por enganos deliberados ou erros não intencionais, daí resume com a frase: “Não se pode acreditar no que se lê nos jornais” (BOND, 1959, p.8). A outra crítica, ainda muito atual, é de que a propriedade dos meios é limitada, nas mãos de poucos, e o que pode prejudicar a liberdade de expressão. Esse é o problema do Brasil, por exemplo, cuja comunicação está concentrada nas mãos de nove grandes famílias. As demais críticas dizem respeito ao conteúdo, como privilegiar a pauta de crime, assuntos menos importantes e que não promovem o bem comum, fatos sempre em concordância com a linha editorial; e às questões éticas, como o sensacionalismo, o material superficial, a manipulação de notícias e a não verificação do que publica.

A natureza das notícias discutida no capítulo V começa pela tentativa de entender ‘O que é notícia?”. O autor começa com o ideia de que a “notícia não é um acontecimento, ainda que assombroso, mas a narração desse acontecimento. Não o acontecimento real, mas a história ou o relato desse acontecimento que nos atinge” (BOND, 1959, p. 67.). E passa por várias definições de jornalistas famosos à época, como a Satanley Walker, que definia a notícia com um sumário sucinto: “Sexo, dinheiro e crime”, além da necessidade de ser de primeira mão, chega a definição que me parece ser a primeira de muitas. “Notícia é uma reportagem oportuna sobre coisa de interesse para a humanidade e a melhor notícia é a que interessa ao maior número de Ieitores”. (BOND, 1959, p. 68.).

Seguramente o gênero humano é sem dúvida o principal interesse do homem. A notícia, então, que mais interessa o leitor médio consiste em alguma coisa que o afeta – sua saúde, riqueza, segurança, bem-estar. (BOND, 1959, p. 68).

Dentre estes fatores que chamam a atenção do público chama atenção quatro deles que, segundo o autor, determinam o valor da notícia: oportunidade, proximidade, tamanho e importância, podendo conter um ou diversos desses aspectos que provocam interesse. Assim, classificou doze elementos de interesse da notícia: interesse-próprio, dinheiro, sexo, conflito, o incomum, o culto do herói e da fama, expectativa e interesse humano, acontecimentos que afetam grandes grupos organizados, disputa, descoberta e invenção; e crime. Esta relação de Fraser Bond antecipa já os critérios de noticiabilidade sistematizados por Galtung & Ruge (1965) e revistados por Gislene Silva[9] (2005):

Na sequência, vários pesquisadores propõem, a partir de seus trabalhos de campo, diversas listagens de atributos dos acontecimentos, características necessárias para que fatos fossem selecionados como notícias. Em 1965, como já foi dito, Galtung e Ruge, ao se perguntarem como os acontecimentos se transformam em notícias, chegaram a doze valores-notícia: frequência, amplitude, clareza ou falta de ambiguidade, relevância, conformidade, imprevisão, continuidade, referência a pessoas e nações de elite, composição, personificação e negativismo.

No decorrer da segunda metade do século XX, e a partir dos levantamentos feitos por Nelson Traquina, Mauro Wolf e Michael Kunczik e de textos de autores brasileiros como Manuel Carlos Chaparro, Mário Erbolato e Nilson Lage, pode-se encontrar diversos elencos de valores-notícia (Silva, 2005, p.101-102). Desta forma, observa-se que as angústias permeiam a subjetividade do jornalismo desde sempre e é necessário observar os fenômenos e entendê-los.

O Autor

F. Fraser Bond foi um os maiores especialistas em jornalismo na década de 1950-60 nos EUA e influenciou sobremaneira Luiz Beltrão e José Marques de Melo em suas produções, o que consequentemente se tornou referência constante nos estudos do jornalismo do Brasil. Para dimensionar ao leitor, uma busca rápida no Google Acadêmico, apontam mais de 500 resultados em textos em português. Bond professor na New York University, em um país com quase 50 anos de tradição de ensino do jornalismo, com a primeira escola de jornalismo fundada em 1904 por Joseph Pulitzer (Columbia School of Journalism). Para entender o espírito desta iniciativa é preciso entender como o jornalismo saiu de uma prática informal para um campo de estudo. A declaração de Pulitzer (1904) à época da gestação da escola pode nos dar um norte: “Precisamos de um sentimento de classe entre os jornalistas – baseado não no dinheiro, mas na moral, na educação e no caráter [10]. Desta safra de estudiosos, destacou-se na década de 1920, o americano Robert Ezra Park que realizou um dos primeiros desenhos relevantes para a construção de uma teoria do campo.

* Adriana Santiago é doutoranda no Programa Comunicação e Cultura Contemporânea (Poscom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor). Fonte: NJOR

[1] A edição original deste livro foi em 1954. A edição brasileira é de 1959. As citações do texto foram revisadas para a nova reforma ortográfica.
[2] MUSSER, Rick. Site Journalism history. University of Kansas, School of Journalism & Mass Communications, 1976-2008. International Thompson Publishing Company. Site http://history.journalism.ku.edu/ Acessado em 1 de outubro, de 2013.
[3] ADORNO, Theodor W; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Traduzido por Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
[4] Site do Centro de Cultura e Memória do Jornalismo, http://www.ccmj.org.br/ acessado em 2 de outubro de 2013
[5] BELTRÃO, Luiz. Iniciação à filosofia do jornalismo. Rio de Janeiro: Agir, 1960.
[6] http://scholar.google.com.br/scholar
[7] O estado da arte mais atualizado no Brasil é de SILVA, Gislene. Para pensar critérios de noticiabilidade. Estudos em Jornalismo e mídia, v.2, n.1. Florianópolis: Insular, 2005, p.95-106.
[8] SQUIRRA, S. O século dourado: a comunicação eletrônica nos EUA. São Paulo: Summus, 1995.
[9] SILVA, Gislene. Para pensar critérios de noticiabilidade. In: Estudos em Jornalismo e Mídia Vol.II Nº 1 – 2005. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/2091/1830.

[10] Pulitzer, J. The college of journalism the North American Review, 178, In: SCHUDSON, Michael -Descobrindo a notícia: uma história social dos jornais nos Estados Unidos. Tradução Denise Jardin Duarte. Petrópolis. Ed Vozes, 2010 (p. 180).

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Jornalista concurseiro: como anda a sua memória?

Posted by analisesdejornalismo em novembro 12, 2013

Por Michele Barros
Olá, concurseiros jornalistas!
Para começar bem a semana trago o curso de memorização do psicólogo Alberto Dell’Isola, conhecido como super memória. São seis vídeoaulas em que o especialista em memória dá dicas e explicações acerca do processo de memorização nos estudos para concursos, ensina a elaborar mapas mentais e mostra como enfrentar o nosso maior concorrente — nós mesmos.
O autossabotador, como denomina o especialista, é o principal rival dos concurseiros; saber como enfrentá-lo tornará a concentração e, consequentemente, a assimilação dos conteúdos mais eficaz.
Vale a pena dar uma parada nos estudos para assistir aos vídeos. Mesmo que algumas dicas como a elaboração e estudo de mapas mentais sejam mais voltadas para a área jurídica é fácil adaptá-las a nossa realidade para construir estratégias para uma melhor memorização dos estudos. Foi de lá, inclusive, que retirei algumas ideias para o post sobre como fazer uma boa prova.
Estudando, percebi o quanto é real o que ele diz sobre a perda de concentração, quebra da leitura sequencial e demais problemas que fazem com que o nosso rendimento nos estudos diminua. Identificá-los rapidamente nos torna cada vez mais direcionados e espertos para não deixar o sabotador nos derrotar.
Para quem quiser saber mais sobre como fazer mapas mentais, neste link há diversos softwares disponíveis para download. A maioria é em inglês, mas são bem intuitivos e fáceis de usar.
Tudo isso ajudará a otimizar o tempo dos estudos, um dos pontos mais problemáticos para os concurseiros que dispõem de poucas horas livres para estudar.
Além dos vídeos gratuitos, Dell’Isola mantém o blog Super Memória com um rico material sobre o tema, para aqueles que se interessam pelos mistérios e curiosidades do cérebro humano.
Seguem abaixo os links para as vídeoaulas:

Curso de memorização COMPLETO 1/6

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O Império Midiático se curva na Argentina

Posted by analisesdejornalismo em novembro 7, 2013

O monopólio midiático na Argentina acaba de sofrer duro golpe com a aprovação da Lei de Mídia, aprovado essa semana. Assim como no Brasil, a grande imprensa Argentina estava centralizada em poucas mãos. Alguns grupos de esquerda no Brasil também lutam pela aprovação de leis semelhantes, para promover maior democratização da mídia no país, o que preocupa os grandes grupos atuais, que classificam a iniciativa como censura. No entanto, até mesmo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) elogiaram o governo argentino.  Veja as consequências da Lei de Mídia argentina sobre o Grupo Clarín, na reportagem de Paola Nalvarte e Travis Knoll, publicada pela Knight Center/PYF.

Grupo Clarín propõe se adequar à lei de meios argentina dividindo-se em seis companhias

Por Paola Nalvarte e Travis Knoll

O conglomerado de mídias argentino Grupo Clarín anunciou hoje que se adequaria voluntariamente à polêmica lei de meios antimonopólio dividindo suas licenças audiovisuais entre seis unidades de negócio que respeitem o limite previsto pela lei. Clarín anunciou sua prosposta de participação assim que a Suprema Corte da Argentina declarou constitucional a lei de meios na semana passada. O governo de Cristina Fernández ofereceu ao Grupo Clarín a possibilidade de apresentar uma saída voluntária de acordo com o estipulado pela lei.

No entanto, Clarín informou que apresentou sua proposta para evitar qualquer apropriação por parte do governo e que a implementará somente quando se vir obrigado a fazê-lo, informou AP. Em paralelo, o conglomerado de mídias argentino continuará litigando para manter sua integridade atual, incluindo recorrer da decisão diante de tribunais internacionais por considerar a lei injusta. “Esta adequação não implica, nem remotamente, a resignação de nossos princípios nem a claudicação de nossos direitos, que serão defendidos até as últimas instâncias”, anunciou o Clarín à opinião pública em seu comunicado.

Enquanto isso, os membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA elogiaram a lei de meios argentina, apoiando as políticas promovidas pelo governo de Cristina Fernández a favor da liberdade de expressão e da democratização da mídia, no contexto de uma audiência convocada por jornalistas do Grupo Clarín e o jornal La Nación. Os jornalistas argentinos denunciaram a falta da liberdade de opinião de seu país diante da comissão.

A Suprema Corte argentina declarou a constitucionalidade geral da lei de meios no dia 29 de outubro, finalizando assim o julgamento de quatro anos que o Clarín havia aberto contra o governo logo antes de questionar os artigos 45 e 161 da norma.

A lei de meios restringe a posse de licenças de frequências de sinal aberto em um máximo de 10, tanto de rádio como de televisão, e a gestão de 24 licenças em diferentes localidades para a operação do serviço de televisão a cabo. Também proíbe que uma companhia possua licenças, de televisão aberta e a cabo em um mesmo lugar.

Atualmente o Grupo Clarín possui 12 licenças audiovisuais, com uma diversidade de serviços de rádio, televisão de sinal aberto e a cabo, como o Canal Trece e Cablevisión em Buenos Aires, entre outros.

A decisão da Suprema Corte gerou tanto opiniões a favor como contra, e a divisão refletiu-se inclusive no âmbito internacional entre organismos defensores da liberdade de imprensa. Por exemplo, Repórteres Sem Fronteiras apoia a lei de meios argentina por promover a pluralidade de vozes, mas critica o favoritismo que existe na distribuição da publicidade estatal entre as mídias simpatizantes do governo.

Por sua vez, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP em espanhol) respeitou a decisão judicial argentina referente a lei de meios, ainda que não estivesse de acordo. “Respeitamos a decisão da Corte, mas não concordamos com ela, especialmente tendo em vista o estado da liberdade de expressão na Argentina, que vem se deteriorando permanentemente depois de ataques do governo contra vozes críticas e independentes”, declarou Claudio Paolillo, presidente da organização.

Em um relatório de 2012, o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ) concluiu que esse conflito entre o governo e a imprensa afetou o acesso dos argentinos à informação objetiva.

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Professores analisam a crítica televisiva no jornalismo cultural

Posted by analisesdejornalismo em novembro 7, 2013

A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios

Fonte: Publicações do MidiAto

“A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios”. Esse é o nome do artigo publicado pela professora Rosana Soares, uma das líderes do MidiAto, e por Márcio Serelle, professor da PUC de Minas Gerais, no último número da revista Intexto, da UFRGS. 

kogutNo trabalho, os professores dizem que “a crítica televisiva no jornalismo cultural enfrenta, hoje, desafios para a avaliação da programação, entre eles, o da organização de um repertório televisual”. Assim, por meio da análise de textos dos jornalistas Patrícia Kogut, de “O Globo”, e Daniel Castro, do portal “R7″, o artigo identifica e discute “os valores (estéticos, mercadológicos, pedagógicos) que deles emergem, investigando o modo como essa crítica pode estabelecer parâmetros acerca do que seria uma ‘televisão de qualidade’.

Leia trecho do trabalho:

Os textos críticos demonstram, também, a presença hegemônica da Rede Globo de Televisão na cobertura de jornalismo cultural, não fazendo diferença se o crítico pertence a um grupo concorrente, como no caso de Castro (Grupo Record). Ou seja: no corpus desta investigação, a programação da TV Globo, possivelmente por sua notável audiência na TV aberta, impõe-se como grade a ser noticiada, debatida e avaliada, para além de qualquer favorecimento pretendido pelos conglomerados midiáticos.

Veja o estudo completo aqui:

A crítica de TV no Brasil: valores e repertórios.

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STF faz concursos para jornalistas diplomados. Cozinheiros não servem!

Posted by analisesdejornalismo em novembro 6, 2013

Por Sylvio Micelli

Ironia. O mesmo Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou o diploma para o exercício da profissão de jornalista agora abre concurso para… para… para… jornalistas diplomados!

Após mais de quatro anos da controversa decisão, capitaneada pelo ministro-relator Gilmar Mendes, que chegou a comparar o jornalista a um cozinheiro, o douto colegiado de ministros abre um concurso que será apenas para profissionais diplomados.

Li o edital com cuidado. Atribuições como cozinhar o velho e bom arroz e feijão ou saber preparar um tradicional Coq au Vin francês, para oferecer aos coleguinhas do Itamaraty, não fazem parte das habilidades exigidas.

O edital é claro:

“CARGO 3: ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA: APOIO ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE: COMUNICAÇÃO SOCIAL

REQUISITOS: diploma, devidamente registrado, de curso de nível superior de graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, fornecido por instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC, e registro na Delegacia Regional do Trabalho.

DESCRIÇÃO SUMÁRIA DE ATIVIDADES: realizar atividades de nível superior, de natureza técnica, relacionadas ao planejamento, organização, coordenação, supervisão, assessoramento, estudo, pesquisa e execução de tarefas que envolvam todas as etapas de uma cobertura jornalística integrada: produção, redação, reportagem e edição de conteúdos para mídias eletrônicas como rádio, TV, internet e imprensa escrita.”

Se você se interessou, corra. O período de inscrições para o concurso organizado pela Cespe vai até o dia 4 de novembro.

O salário é bom, pouco mais de 7,5 mil reais, mas são apenas três vagas sabendo-se que há vacância de mais de setenta, considerando-se todas as mídias que trabalham no STF e, diga-se de passagem, realizam um ótimo trabalho por sinal. A carga horária também não é a nossa, o velho e utópico sonho de cinco horas por dia ou sete, no máximo.

Acho que isso só fortalece nossa luta em prol da exigência do diploma para o exercício do Jornalismo tendo em vista que, nem quem derrubou o diploma e promoveu uma censura indireta em nosso trabalho, usa do mesmo mal que propagou, atendendo a interesses prá lá de escusos.

Dotes culinários? Deixe-os para os finais de semana. Isso se não houver plantão.

* Jornalista profissional diplomado e servidor público concursado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

 

Fonte: Fenaj.

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Os métodos jornalísticos, a ética, a intimidação e o autoritarismo

Posted by analisesdejornalismo em novembro 6, 2013

Por Francisco José Castilhos Karam

A luta milenar entre mostrar e esconder é incessante. Se alguns tentam esconder e outros mostrar, temos claramente um conflito de interesses. Em sociedades complexas tais métodos se tornam ainda mais sofisticados, com a tentativa de obscurecer dados da realidade ou de revelar elementos dela. O critério de publicização passa a ser a relevância do desvendamento para a sociedade e em que isso pode contribuir para que se veja melhor.

Na Alemanha, a expressão método wallraffen chega a representar disciplinas em cursos de jornalismo sobre a forma de trabalho de Gunter Wallraff, autor, entre outros livros, de Cabeça de Turco, Fábrica de Mentiras e O jornalista indesejável, os dois primeiros traduzidos no Brasil. Cabeça de turco chegou a vender muitos milhões de exemplares em todo o planeta, com tradução em vários países.

O método wallraffen inclui infiltração e alteração de identidade, coisa que nem Wallraff foi o primeiro a fazer e nem será o último. Tampouco essa conduta é exclusiva da área jornalística. Mas é paradigmático de um método que, mediante avaliação moral e técnica jornalística, legitima-se em decorrência de possíveis benefícios sociais.

Amparados pela regulamentação, policiais fazem isso há muito tempo, técnicos em inteligência também. Amparados pela Modernidade e pelo contrato social baseado em uma divisão de funções e trabalhos, jornalistas fazem isso desde a consolidação da reportagem como gênero central no jornalismo, afirmado no ambiente de uma sociedade republicana, democrática, industrial. E na qual a Instituição Imprensa passa a ter papel relevante na disseminação e compartilhamento de fatos, versões e debates contemporâneos, mediante alguns critérios como interesse público.

Ainda que a Imprensa seja crescentemente um negócio que inclui a informação apenas como um de seus produtos – e, a meu ver, o principal-, conceitos como credibilidade e legitimidade sociais foram e são importantes para que o jornalismo se mantenha como essencial à vitalidade democrática e aos debates e decisões gerados a partir dessa.

Recomendações e liberdade

Na maioria dos códigos de ética aplicada, deontológicos, de conduta de jornalistas profissionais em todo o planeta, em geral há uma recomendação de que deve se evitar métodos ilícitos ou duvidosos para obtenção de informação. Mas comumente há uma vírgula e, depois dela, uma célebre expressão “a não ser que os métodos tradicionais tenham sido utilizados sem sucesso e a informação a ser dada tenha relevância”. Foi assim que jornalistas ingressaram em determinados supermercados para conferir, após denúncia, como funcionários alteravam, durante a noite, a data de validade de determinados produtos perecíveis. Prestaram à sociedade um serviço diante do engodo e desserviço que as redes de supermercados estavam fazendo. Foi assim que jornalistas ingressaram em manicômios para mostrar, com texto e fotos, o tratamento desumano dado a pacientes internados. De outra forma, uma visita jornalística guiada e autorizada possivelmente encontraria o local com flores, tapete vermelho e um cenário montado e bem arrumado.

Em geral, logo após a publicização de matérias/reportagens com tais métodos, há uma divisão em duas perspectivas. De um lado, há os que bradam que faltou “ética” aos profissionais jornalistas, talvez menos pelo método e mais porque ficaram “nus” diante da sociedade quando tentavam bater a carteira dela. De outro, os que celebram o desvendamento de uma realidade que afeta número significativo de pessoas.

Assim, embora o mandato popular conferido ao jornalista não passe pelo sufrágio universal, há uma legitimidade em nome da posição de ofício que ele tem para mostrar dados e fatos que atinjam diretamente a vida dos cidadãos. E que bom se assim fosse sempre, acima dos interesses mercadológicos e econômicos que autorizam algumas investigações jornalísticas a seguir adiante e outras não, a partir dos centros de poder da empresa.

O método wallraffen está dentro do conceito de legitimidade, comparável ao trabalho dos detetives, embora jornalistas não tenham a mesma garantia constitucional e jurídica e, muitas vezes, física para tal exercício. No entanto, há uma garantia moral, dada pelo papel social que representa ou deve representar a profissão. Não para generalizar tal método, mas para utilizá-lo quando necessário e de acordo com as plenas convicções de que tal trabalho trará esclarecimento à sociedade que pode estar sendo enganada ou prejudicada com a ocultação. E também onde as instituições do Estado começam a falhar ou quando estão envolvidas elas mesmo em atos duvidosos. Ou, ainda, onde setores particulares se apropriam do interesse público para defender apenas o próprio bolso.

Métodos na profissão e no ensino

Tais métodos são discutidos na profissão (como nos congressos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji – e no âmbito acadêmico), tanto eticamente como no exercício da prática que simula a profissão e tende, em uma boa escola, a se aproximar da realidade do trabalho. Em vários casos, trabalhos são feitos com algum risco. Se não fosse assim, seria melhor os jornalistas ou estudantes cobrirem apenas baile de debutantes ou inauguração de estátuas.
Felizmente não é assim, e jornalistas e estudantes correm riscos, como acompanhar manifestações nas ruas; cobrir greves; fazer viagens com certa aventura e desafios para um TCC (trabalhos de conclusão de curso); acompanhar trabalhos como o da Cruz Vermelha em zonas de guerra e situações similares.

Jornalistas e futuros jornalistas, ainda que com alguns riscos, não podem fugir de situações tais quando estas exigem a presença de alguém que ajude a desvendar o cenário e colocá-lo à disposição do público. E há discussão sobre isso, supervisão de profissionais mais experientes ou de professores jornalistas com experiência no assunto e que sabem o que é ser jornalista. Quando fazem isso, não são burocratas do ensino e nem capachos do Poder.

É com tal perspectiva que para jornalistas consagrados em todo o planeta um carimbo de “secreto” em um documento é apenas um carimbo de “secreto”, que pode representar algo muito estratégico a ser mantido em sigilo, mas também significar que alguém, por razões particulares ou “razões de Estado particulares”, quer esconder algo que beneficiará alguns e prejudicará a muitos. É o interesse particular travestido de público. Jornalistas desmancham tais esconderijos, como Gunter Wallraff e inúmeros outros. E se baseiam em documentos que chegam a eles para iniciar um processo de investigação jornalística ou em investigações que eles próprios decidem a partir de denúncias, constatações ou desconfianças.

Seja na profissão ou no âmbito acadêmico, também é preciso cuidado com a segurança e sempre há algum risco. E quem decide sobre apurar ou não apurar é a profissão, com base no contrato social expresso por uma atividade que se vale da clássica expressão constitucional que integra os textos relativos à Imprensa pós-Revolução Inglesa e Francesa e no cenário em que se consolidou o direito social à informação como um dos fundamentais na era dos direitos civis, como o direito à saúde, à educação… O contrário disso é tentativa de esconder e, em alguns casos, aproxima-se da intimidação e da censura, mesmo no ambiente de Universidade, em que algumas vezes se confunde as autoridades do momento com toda a Instituição. Dentro dela, há profissões. E profissões exigem compromissos acadêmicos, morais e técnicos com a futura atividade profissional, por mais que autoridades não gostem.

O brado de falta de ética confunde tais investigações acadêmico-jornalísticas com etiqueta, com bons modos, coisa que os jornalistas investigadores têm ao cumprimentar as pessoas ou segurar os talheres… Mas no exercício do ofício existe a ética profissional, nem sempre a dos “bons modos”, nem sempre a do baile de debutantes… Existe a necessidade de mostrar algo qualificado e importante à luz do jornalismo em relação ao todo social. E que faz ir por água abaixo a etiqueta, os bons modos, o jornalismo de compadre… O jornalismo que surge, então, é o que incomoda, o que faz perguntas incômodas, o que entra em lugares “proibidos” para verificar; o que legitimamente utiliza a infiltração porque fontes mentem, escondem e enganam o público, maior ou menor público.

Quem intimida sempre se desculpa com o argumento de que não é censura nem intimidação. Mas quer que o profissional ou estudante seja seu porta-voz ou relações públicas. Há profissões que zelam pela imagem, pela fidelidade ao assessorado, que tentam gerenciar crises. Ainda que haja um jornalismo de serviço e suas derivações, o essencial dele, e que dá sentido à área em uma perspectiva ampla, histórica, moral e tecnicamente defensável, é o tipificado pela figura do repórter, o que faz aflorar crises e não o contrário. Gera controvérsia, e esse é o sentido da profissão diante de um espaço público complexo e crescente na contemporaneidade. Seu sentido primordial é informar o público com precisão e sobre assuntos relevantes.

As tentativas de censura à investigação jornalística, a matérias de profissionais, a trabalhos feitos por estudantes em universidades, ampliam o leque de uma vertente autoritária, já alertada por Wallraff quando escreveu várias reportagens na Europa expressa pela clássica frase “nosso fascismo ao lado, lições para o amanhã”. Para evitar isso, o jornalismo deve fazer seu trabalho bem feito, com critérios baseados na relevância social da informação para o público e com precisão, verossimilhança e narração compatíveis com o conceito de credibilidade. E universidades devem assimilar que nem tudo são flores e que, em um curso de jornalismo, estudantes trabalham junto com professores, em geral experientes jornalistas que se titularam e que sabem algo sobre a profissão. E sabem que censura e intimidação não estão em seu dicionário e devem ser combatidos pelo que ocultam: interesses particulares e tentativa de “dourar a pílula”, não hesitando, muitas vezes, em diversos tipos de pressão, que vão da suspensão de verbas a determinados projetos a tratamento diferenciado em relação a um ou outro Curso. Nada pior para a democracia.

Em um cenário em que jornalistas são ameaçados em manifestações; em que autoridades internacionais querem prender ou matar jornalistas ou fontes que revelam documentos comprovadores de danos sociais; em que há tentativa de intervenção na produção laboratorial de cursos de jornalismo, parece haver necessidade de defesa da profissão naquilo que a consagrou perante a sociedade, a reportagem. Sem ela, não há jornalismo. E só reportagem autorizada não contribui para o Jornalismo em sua mais alta magnitude.

* Professor na Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador do objETHOS

Publicado no Observatório da Ética Jornalistica (OBJETHOS) em 21/10/2013

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Veja, a seguir, as deliberações da assembleia e a Carta Aberta lançada pelos funcionários da EBC

Posted by analisesdejornalismo em novembro 6, 2013

Veja, a seguir, as deliberações da assembleia e a Carta Aberta lançada pelos funcionários da EBC.

Fonte: Fenaj

Ata da Assembleia dos trabalhadores da EBC reunidos em DF, RJ, MA e SP no dia 05 de novembro de 2013

Reunidos em assembleia no dia 05 de novembro de 2013, às 12:30h, os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação de Brasília, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo deliberaram e tomaram as seguintes resoluções:

1 – Exigência da retirada da advertência que a EBC impôs ao funcionário Ricardo Alexandria e retirada da suspensão imposta ao funcionário Guilherme de Souza, ambos funcionários da EBC no Rio de Janeiro.

2 – Rejeição de forma unânime a seguinte proposta da empresa:

A) Acordo de 2 anos.

B) 1% de ganho real dividido em 0,5% novembro de 2013 e 0,5% novembro de 2014.

C) Reajuste pelo IPCA do Tíquete alimentação e inclusão de Tíquete extra em dezembro de 2013 e tíquete alimentação extra em dezembro de 2014.

D) Retirada dos 10 itens do Acordo (demanda do DEST) com promessa de normatização até abril de 2014.

E) Retirada de cláusulas do Acordo (demanda da empresa) com possibilidade de incluir em normas.

3 – Aprovação de GREVE no dia 07 de Novembro de 2013 a partir das 16h. Com assembleia no dia 08 de novembro de 2013 às 13h para reavaliação.

4 – Aprovou a seguinte contraproposta a ser apresentada pelos sindicatos e comissão de empregados à empresa:

A) Sem retirada de cláusulas e dos itens vetados pelo DEST

B) Mudança de data-base para maio com acordo de novembro de 2013 a maio de 2015 e gatilho automático em Novembro de 2014.

C) R$ Aumento linear de R$290 (Vale-peru + vale-cultura + ganho real de 1% linear divido por todo mundo multiplicado por 1,5)

D) Aumento de 11% no tíquete-alimentação (inflação das refeições)

E) Cláusulas sociais prioritárias para avanço: gratificação de função (9a), horas-extras (10a), acúmulo e desvio de função (40a), Comissão de Empregados (81a), adicional de titularidade (38a), qualificação profissional (39a), comportamento ético e moral (52a), cursos externos (49a), folgas dominicais (63a), avaliação de desempenho, inclui das chefias (42a).

5 – Aprovou carta aberta ao Governo e à sociedade brasileira, cuja íntegra se encontra no fim desta Ata.

6 – Aprovou a seguinte resolução a respeito do Plano de Cargos e Salários que está em estudo pela FIA e a EBC: “Nós trabalhadores reunidos em Assembleia, com o apoio dos Sindicatos e a Comissão exigimos que a revisão do Plano se dê no terreno de respeito às leis que regulamentam as profissões, e reivindicamos que a remuneração salarial seja de acordo com a responsabilidade e atribuição das funções, com mecanismos que valorize a perspectiva de carreira, com a garantia de participação das representações dos trabalhadores no processo daqui para frente.”

TRABALHADORES DA EBC EM GREVE

Carta aberta ao governo federal e à sociedade brasileira

Nós, trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em campanha salarial para o fechamento do Acordo Coletivo 2013/2014, aprovamos, em assembleia realizada neste dia 5 de novembro, uma greve com início marcado para a próxima quinta-feira (7/11), a partir das 16h. Este recurso é necessário frente à postura da direção da Empresa e do governo de não responder satisfatoriamente às reivindicações dos trabalhadores e de impor a retirada de direitos.

Antes de tudo, esta é uma mobilização em defesa da comunicação pública. Não nos perfilamos junto dos que querem minar esse patrimônio do povo brasileiro, que garante informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público. Ao contrário, entendemos que esse direito da população, o direito à comunicação, só pode ser assegurado com fortes investimentos em empresas públicas de comunicação, fundamentalmente na EBC. Esta é, pela legislação, a figura central do sistema público criado pela Constituição Federal de 1988. Temos clareza que esse direito não será assegurado pelo setor privado, hoje dominado por poucos conglomerados que usam a mídia para a busca do lucro e para atender aos próprios interesses. E que atacam a comunicação pública cotidianamente.

Para fortalecer o sistema público, é preciso aumentar os investimentos em infraestrutura, produção de conteúdo e, mais importante, na valorização do principal patrimônio da empresa que são os seus trabalhadores. Mas não é isso que vem ocorrendo. A falta de investimentos em estrutura e em quem faz a comunicação pública gera problemas, como os verificados recentemente na transmissão do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff no dia 21 de outubro e na retransmissão da entrevista de Marina Silva ao Roda Viva para o resto do Brasil no mesmo dia. Repetimos: não estamos entre aqueles que usam esses casos para apontar a comunicação pública como ineficiente, mas entre os que veem a necessidade de mudar o patamar de investimentos para garantir que eles não ocorram novamente.

Questionamos como é possível neste momento que uma parte da Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública (obtidas a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, hoje sob questionamento judicial) liberada pela operadora TIM, no valor de mais de R$ 200 milhões, seja travada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vinculada ao governo. Não admitimos que esse dinheiro, quando recebido, seja destinado ao pagamento de superávit primário ou que não seja considerado recurso adicional para a EBC. Se os mais de R$ 200 milhões da TIM forem destinados ao fomento à radiodifusão pública como previsto, a Empresa Brasil de Comunicação pode avançar na garantia da sua autonomia, livre das pressões governamentais ou privadas. Por isso exigimos que o governo federal mude de política para assegurar que esse recurso seja destinado para investimentos na comunicação pública, como os demais recursos do país devam ser voltados aos demais serviços públicos, como exigiram as ruas nas manifestações de junho.

Os recursos para o Fomento à Radiodifusão Pública, obtidos a partir de uma taxa paga do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações, no entanto, não podem substituir as verbas orçamentárias destinadas à EBC. Ao contrário, devem se somar a estas. Montante que deve assegurar a valorização dos trabalhadores por meio do atendimento de suas reivindicações. Depois de dois anos sem ganhos acima da inflação, a empresa e o governo oferecem 1% em um acordo de dois anos. Dividido pelos quatro anos da gestão de Nelson Breve, teríamos apenas 0,25% de ganho real em cada ano. Percentual insuficiente para melhorar os baixos salários da empresa.

A oferta na mesa avança pouquíssimo nos benefícios, trazendo vales que não foram reivindicados. Queremos a incorporação desses vales no salário. Ou, afinal, não são esses ganhos que, segundo o próprio governo, são responsáveis por manter o crescimento da economia brasileira?

Mas essa não é uma mobilização só por ganhos financeiros. Ela é por direitos. Garantias que o Ministério do Planejamento e a direção da EBC querem nos tirar, inclusive aquelas que não dependem de recursos financeiros. É o caso do estabelecimento de um percentual mínimo de chefias concursadas, da correção de casos de acúmulo e desvio de função ou da organização de políticas de formação interna. Ou seja, não é apenas uma questão de falta de recursos, é uma posição política de ataque aos direitos dos trabalhadores. Além disso, a diretoria da empresa segue desrespeitando as leis que regulamentam nossas profissões e permite o assédio moral como método para impor ataques aos direitos dos trabalhadores.

Frente a esse quadro preocupante, cobramos do governo e da direção da EBC o atendimento de nossas reivindicações. Sem a valorização de quem faz a comunicação pública, continuaremos sendo questionados e seguiremos sem assegurar nossas obrigações constitucionais e legais de prover ao povo brasileiro uma alternativa de informação, cultura e entretenimento voltados ao interesse público, instrumentos essenciais ao próprio desenvolvimento da democracia em nosso país.

Trabalhadores da EBC reunidos em Assembleia no dia 5 de novembro de 2011

Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas do DF, RJ e SP

Comissão de Empregados da EBC

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