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A briga Globo x Record

Posted by analisesdejornalismo em agosto 19, 2009

Um exemplo de como a realidade pode ser construída

Bruno Barros Barreira

tvA briga entre a Globo e a Record possui acusações sérias para ambos os lados. Mas o objetivo deste artigo não é fazer uma análise dessas denúncias e tentar descobrir o que há realmente de verdade nas reportagens, claramente tendenciosas de ambos os lados. O nosso objetivo é mostrar como, de fato, o que chamamos de realidade pode ser moldado, construído por instituições como mídia, igreja, partidos e outros que carregam ideologias liberais, conservadoras, reacionárias, contestadoras etc.

Isso porque as representações sociais transmitidas por esses conjuntos interpretativos são capazes de nos ajudar a entender o mundo de uma forma específica. Como já dissemos no artigo “A mídia e as representações sociais” a forma de um muçulmano entender o mundo, certamente, não é a mesma de um cristão.

Dois mundos diferentes

O conjunto de valores difundidos pelas duas emissoras mostra comportamentos e aceitações de um bloco ético totalmente diferente. E isso ainda é reforçado com o uso da linguagem jornalística pelas duas principais emissoras de TV do país, que se aproveitam da imagem de credibilidade histórica do jornalismo em si, solidificada ao longo da história do século XX – que nos levou a autorizá-lo a dar suas versões do que chamamos de realidade no contexto Ocidental.

Visão liberalista x visão religiosa

A Globo, por exemplo, com sua ideologia liberalista, coloca como ultrajante o fato de diversos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus doarem bens como casas, veículos e grandes quantias de dinheiro à instituições para, depois, ser usado pela igreja na compra  de uma emissora de TV, financiá-la e investir em melhorias em forma de doações.

Mas, na visão religiosa e conservadora dos fiéis da Universal, essa prática, mesmo que não declarada oficialmente, não incomoda e nunca os incomodou. Teoricamente, eles seriam os maiores interessados, mas ainda acreditam que é de direito da igreja doar o dinheiro para qualquer atividade, desde que para fins não ilícitos.

Assim, no conjunto de valores formado pelos fiéis da Universal não há motivos para o ministério público condenar as ações da Igreja e, conseqüentemente, prejudicar a emissora Record, uma vez que os fiéis não doam os dízimos e ofertas de forma forçada, mas livremente, exercendo o direito de liberdade religiosa e ainda apóiam e dão total liberdade para a igreja usá-lo como quiser.

E, de fato, pela lei, não se configura como crime as ações da Universal, muito embora este autor também concorde ser um absurdo as gordas doações feitas por seus fiéis à instituição religiosa. Um exemplo claro de como as representações sociais moldam a nossa forma de ver o mundo.

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